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Associações alertam que os apoios estão a demorar a chegar às empresas

Associações defendem apoios diretos e maior agilidade da banca e seguradoras para garantir liquidez imediata às empresas

Nove associações empresariais manifestaram preocupação com a demora na chegada dos apoios às empresas, apesar de reconhecerem o mérito das medidas anunciadas. O alerta foi deixado esta quarta-feira,  em conferência de imprensa por António Poças, porta-voz das associações, que sublinhou a necessidade de distinguir entre o impacto teórico das políticas e a sua aplicação prática no terreno.

“Há muitas medidas que ainda não estão a chegar às empresas e essa é que é a nossa crítica”, afirmou, acrescentando que, sobretudo no caso das pequenas empresas, deveriam ter sido privilegiados apoios diretos e de rápida disponibilização. Segundo o responsável, os atuais mecanismos, baseados em projetos de financiamento e empréstimos, acabam por dificultar o acesso imediato a liquidez.

Apesar das críticas, as associações reconhecem o esforço das autoridades e consideram que algumas medidas são relevantes. No entanto, alertam que a sua eficácia depende do tempo de execução. “Se disserem a uma empresa que daqui a cinco anos lhe vão dar um milhão de euros é espetacular, mas se não tiver dinheiro para pagar salários hoje, a empresa já não existirá quando o apoio chegar”, exemplificou António Poças.

No que diz respeito ao setor financeiro, as associações defendem uma atuação mais célere na análise dos financiamentos disponibilizados através do Banco de Fomento, tendo em conta o contexto de emergência e consideram que as seguradoras deveriam ter avançado com adiantamentos.

O ex-presidente da Nerlei apontou ainda que ambos os setores estão a fazer apreciações “como se estivéssemos numa situação normal”, mas estão “a demorar demasiado tempo” tendo em conta as necessidades das empresas.

O porta-voz destacou ainda a importância de separar medidas de curto prazo, destinadas a garantir a sobrevivência imediata das empresas, de estratégias de médio e longo prazo, orientadas para a reestruturação e modernização do tecido empresarial, algo que está a cargo da Estrutura de Missão. “São coisas completamente diferentes”, frisou.

Além disso, António Poças alerta que alguns instrumentos de apoio como o Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), bem como apoios da Segurança Social e do Instituto do Emprego e Formação Profissional, embora existam, continuam a não garantir a rapidez necessária na chegada de fundos às empresas.

Como sugestões, António Poças defendeu, entre outros, a criação de “um fundo de capitalização mais robusto” e a aposta de investimento estrangeiro na região através da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

O empresário acrescentou ainda que foram requeridos dez mil pedidos de isenção à Segurança Social, sendo que "90% já foram apreciados de forma positiva”. “Isto é muito bom. O dinheiro chegou às empresas? Não. Mas irá chegar. Haver dez mil pedidos dá ideia da dimensão do problema”, sublinhou, adiantando que ainda se desconhece a forma como aquela entidade irá apoiar as empresas.

António Poças falou em representação da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara do Comércio, Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes, APIP – Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos, APICER – Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria, ANEME - Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas, Aricop – Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém, Acilis – Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, Centimfe - Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, Associação Empresarial do Concelho de Pombal.

Março 19, 2026 . 18:00

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