
Empresários em “desespero” com cancelamento da Feira de Leiria
O cancelamento da tradicional Feira de Leiria, também conhecida como Feira de Maio, está a gerar forte preocupação entre os empresários que costumam marcar presença no espaço. Rui Azevedo, representante da Associação dos Proprietários de Equipamentos de Diversão (APED), alerta para o impacto económico e social da decisão, que considera “precipitada”.
Com cerca de 20 anos de presença na Feira de Leiria, onde tem um espaço de bar/venda de charrocos quentes, Rui Azevedo sublinha que a decisão de cancelar a feira “não beneficia ninguém nem resolve qualquer problema”.
Segundo o representante, o recinto da feira não apresenta danos após as intempéries que impeçam a sua realização, o que reforça a incompreensão do setor. Ainda assim, admite que o evento poderia ser adaptado: “Aconselhámos a Câmara a reduzir custos, por exemplo, não apostar em grandes cartazes musicais. A feira em si é autossustentável e aquilo que pagamos – que é bastante - poderia até ajudar pessoas afetadas”.
Com o cancelamento, o impacto financeiro para os cerca de 150 empresários e famílias envolvidas é significativo. “É um rombo muito grande”, reconhece. Como exemplo, refere o caso de um operador que investiu numa roda gigante, equipamento pensado quase exclusivamente para a Feira de Leiria. “Neste momento, não tem forma de suportar os encargos do investimento que fez”, lamenta.
A possibilidade de compensar perdas participando noutros eventos no país é também praticamente inexistente. “Há um acordo tácito entre operadores para não invadir o espaço uns dos outros. Quem faz a Feira de Maio não faz mais nada, depende dela”, explica.
Apesar de uma reunião considerada “produtiva” com o executivo municipal no início do mês, Rui Azevedo avançou ao Diário de Leiria que ontem o município comunicou que não haveria qualquer alternativa à Feira de Leiria, o que deixou o responsável muito “triste e agastado”, temendo pela reação dos empresários. “As pessoas estão a entrar em stress e em desespero. Estão a ver a vida andar para trás”, relata.
Além do impacto direto nos empresários, Rui Azevedo alerta para as consequências na economia local já que, segundo o representante da APED, a Feira de Leiria “movimenta muito dinheiro” — desde hipermercados a pequenos negócios locais. “É uma perda para toda a cidade”, conclui.
Município estuda soluções
Em resposta às preocupações manifestadas pelos operadores, o vereador da Câmara de Leiria com o pelouro dos Eventos mostra-se sensível com os argumentos apresentados, mas sublinha que a autarquia tem de gerir prioridades mais amplas.“Compreendemos a preocupação dos empresários, mas também temos centenas de outros que sofreram danos com a tempestade. A nossa responsabilidade é para com todo o concelho”, afirma.
Luís Lopes reforça que a decisão sobre a realização da feira cabe exclusivamente ao município, tendo em conta as condições existentes e a gestão financeira necessária. “É a Câmara que sabe as contas que tem para gerir. Temos um concelho inteiro que precisa da nossa atenção e investimento para recuperar”, acrescenta.
Apesar do cancelamento da Feira de Leiria nos moldes habituais, a autarquia está a estudar soluções que permitam alguma atividade ao longo do ano. “Estamos a equacionar um conjunto de eventos que possam envolver não só os empresários de diversões, mas também artesãos, associações e clubes, que igualmente dependem destas iniciativas”, explica.
Ainda assim, deixa um ponto claro: “Não vai haver Feira de Leiria. O que quer que venha a ser feito nunca será a Feira de Leiria”.
Entre os constrangimentos apontados estão limitações logísticas e estruturais, como a existência de um terminal rodoviário provisório no espaço habitual do evento e intervenções previstas no estádio municipal. “Não basta olhar para o recinto e assumir que está disponível”.
O vereador rejeita também a ideia de que seria possível realizar o evento sem encargos para o município. “Há infraestruturas condicionadas e custos inevitáveis, como instalações sanitárias, eletricidade ou montagem de espaços. Mesmo com adaptações, haverá sempre custos associados”, frisa.
Para já, a Câmara aponta apenas para a realização de iniciativas no âmbito do Dia da Cidade, assinalado a 22 de maio, embora o formato ainda não esteja definido. “Estamos a trabalhar em várias possibilidades — desde concertos a espaços de restauração — mas tudo depende das condições disponíveis e do investimento que conseguirmos assegurar”, conclui.








