
Europa da Defesa terá "plena autonomia face a aliados seguramente imprevisíveis"
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse hoje que a Europa da Defesa está a ser construída para dissuadir ameaças como a Rússia e proteger os cidadãos, com "plena autonomia face a aliados" que são "seguramente imprevisíveis".
"Estamos a dotar a Europa da Defesa, capaz de, por si própria, dissuadir ameaças como a da Federação Russa e proteger os cidadãos europeus, como garantia para a paz com plena autonomia face a aliados que... se não são por vezes desleais, são seguramente imprevisíveis", disse hoje António Costa num discurso na Reitoria da Universidade do Porto, na sessão solene do 115.º aniversário da instituição.
Para António Costa, "foi esta unidade europeia que enfrentou e enfrenta muitas das crises recentes: a crise económica e financeira, a pandemia global, a crise energética e de inflação, o regresso da guerra ao nosso continente".
"Em todos esses momentos, a Europa esteve presente, esteve unida e terá de continuar unida", garantiu o presidente do Conselho Europeu.
Antes já tinha apontado a necessidade de "completar o mercado único, a arquitetura da Zona Euro, e vencer os desafios tecnológicos e da competitividade económica", para uma "união de 450 milhões de cidadãos, com um mercado interno dinâmico, uma moeda forte e uma união de democracias".
"Mais do que uma união aduaneira ou um mercado comum, somos uma união de valores", assinalou, frisando que é preciso "continuar a reforçar" esta unidade.
Para o também antigo primeiro-ministro português, "tudo isto só é possível porque a União Europeia é o mais avançado projeto de solidariedade entre povos que o mundo já conheceu, capaz de integrar histórias, culturas e geografias diversas".
"Hoje, no exercício destas minhas funções, tenho a oportunidade de conhecer ainda melhor essa diversidade europeia. E percebo, talvez mais do que nunca, o extraordinário esforço que representa a capacidade de integrar visões do mundo tão diferentes, provenientes de histórias, culturas e geografias tão diversas", assinalou.
A concluir o discurso, pediu força "para defender uma ordem internacional baseada em regras", "para fortalecer o multilateralismo" e "para enfrentar os grandes desafios globais, como as alterações climáticas".
"Precisamos dessa unidade. Precisamos dessa força. Precisamos desse conhecimento e dessa diversidade. Para garantirmos aquilo que sempre esteve no centro do projeto europeu: a paz, a segurança e a prosperidade", concluiu.







