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Mau tempo deixa rasto de destruição nas Hortas Comunitárias de Leiria

Localizadas em zonas urbanas do concelho, as Hortas Verdes da Encosta do Castelo, da Malaposta e da Quinta do Gordalina foram atingidas pela chuva intensa que agravou os estragos provocados pelo mau tempo

As hortas comunitárias de Leiria ainda recuperam das marcas deixadas pela depressão Kristin, que atingiu a região a 28 de janeiro. Entre terrenos inundados, árvores derrubadas e infraestruturas danificadas, vários espaços municipais ficaram temporariamente inutilizáveis, afetando dezenas de utilizadores.

Localizadas em zonas urbanas do concelho, as Hortas Verdes da Encosta do Castelo, da Malaposta e da Quinta do Gordalina foram particularmente atingidas nos dias que se seguiram à tempestade, onde a chuva intensa agravou os estragos, dificultando o regresso à prática agrícola.

Na Quinta do Gordalina II, o cenário foi mais severo. “Foi o espaço que sofreu maiores danos, não tanto pelo efeito do vento, mas pela intensa precipitação”, explicou ao nosso jornal o vereador da Câmara Municipal de Leiria com o pelouro dos Espaços Verdes, Carlos Palheira. O responsável descreve três episódios de inundação, com maior impacto nos dias 5 e 11 de fevereiro, que deixaram o terreno submerso durante semanas e impediram 24 utilizadores de cultivar os seus talhões.

As consequências fizeram-se sentir sobretudo nas colheitas de outono e inverno. Com os terrenos alagados durante cerca de três semanas, muitos produtos acabaram por se perder.
Já na Quinta do Gordalina I, os danos resultaram essencialmente do vento, que provocou a queda de árvores e afetou vedações e portões. Ainda assim, segundo o vereador, “não condicionou a utilização do espaço”.

Na Encosta do Castelo, junto ao Parque José Mattoso, os impactos foram mais visíveis no coberto arbóreo. “Verificou-se a queda de diversos exemplares de árvores, bem como a acumulação de resíduos provenientes da cobertura do Estádio Municipal de Leiria Dr. Magalhães Pessoa”, relatou Carlos Palheira, sublinhando, contudo, que “a prática hortícola não foi comprometida”.

Na Malaposta, os estragos foram menos expressivos, mas a precipitação intensa acabou por limitar o uso dos talhões durante vários dias.

No total, entre os restantes 67 utilizadores, os danos diretos não impediram a continuidade da atividade agrícola, embora as condições meteorológicas tenham dificultado o acesso e utilização dos espaços.

 

Apoios e recuperação em curso

Perante os prejuízos, a autarquia avançou com medidas de apoio. Está em preparação uma alteração ao regulamento do projeto Hortas Verdes, que prevê a suspensão temporária do pagamento de rendas.

Em paralelo, decorrem trabalhos de recuperação. “Os espaços estão a ser intervencionados, de modo a repor a normalidade”, garantiu o vereador, admitindo que ainda persistem alguns danos, sobretudo nas vedações da Quinta do Gordalina I. Está também prevista uma empreitada para regularizar situações nas duas hortas da Gordalina.

A recuperação já começou, com o apoio dos próprios utilizadores na limpeza dos terrenos. A autarquia estima que as infraestruturas estejam repostas até ao início de maio. Já no que diz respeito às árvores derrubadas, o processo será mais demorado. A reposição terá de ser feita em época própria e “será longo o tempo até que se venham a formar exemplares com o porte das que foram derrubadas”.

A localização das hortas junto ao rio Lis continua a ser um fator de risco. Como explica Carlos Palheira, as hortas da Gordalina I e II “estão sempre sujeitas às inundações que ocorram por transbordo do rio”.

Para mitigar futuros impactos, a autarquia está a analisar espécies arbóreas mais resistentes a fenómenos extremos. Ainda assim, o autarca reconhece os limites da prevenção: “não se pode garantir a forma como estas se comportam em situações meteorológicas extremas”.

Abril 1, 2026 . 09:00

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