
Falta de efetivos na PSP une críticas do executivo
A necessidade de reforço de meios humanos na Polícia de Segurança Pública (PSP) marcou o debate na reunião descentralizada da Câmara Municipal de Leiria, realizada na segunda-feira em Bidoeira de Cima, com críticas e alertas tanto da oposição como do executivo socialista.
Luís Paulo Fernandes, vereador do Chega, apontou o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) como confirmação de problemas que, garante, já vinham sendo denunciados. “O RASI vem-nos trazer notícias que para nós já eram evidências flagrantes”, afirmou, defendendo uma posição mais firme do município junto do Governo.
O eleito recomendou que o executivo “lute afincadamente” pelo reforço de efetivos da PSP no concelho e pela manutenção da esquadra dos Marrazes, sublinhando que, apesar de eventuais reforços recentes, os números oficiais continuam a justificar preocupação.
Em resposta, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, reconheceu a necessidade de agir, embora tenha salientado limitações ao nível da intervenção municipal. “Temos a clara noção de que temos que fazer mais na área da segurança, mas o principal contributo não depende de nós”, afirmou, lembrando que a segurança é uma competência nacional.
O autarca destacou ainda que o RASI apresenta dados ao nível distrital, não permitindo uma leitura fina da realidade específica do concelho, algo que considera essencial para uma resposta mais ajustada.
Apesar disso, Gonçalo Lopes admitiu que existem problemas concretos que exigem atenção, revelando que o município já reuniu com a PSP, moradores, comerciantes e a Associação Comercial e Industrial de Leiria (ACILIS) para identificar zonas mais sensíveis da cidade. Dessas reuniões resultaram intervenções táticas, ainda que reconhecidamente limitadas.
“O que é preciso é mais pessoas”, sublinhou, apontando a escassez de recursos humanos como o principal entrave à eficácia policial.
Segundo o presidente, a PSP está atualmente a operar em regime de “gestão da escassez”, com poucos agentes para um território cada vez mais populoso e com maior número de ocorrências.
Investimentos perdem eficácia sem reforço policial
Gonçalo Lopes foi mais longe, referindo que o investimento em equipamentos, como câmaras de videovigilância ou viaturas, perde eficácia sem reforço de pessoal. “Podemos oferecer motas, carros, câmaras, mas se não houver pessoas não adianta”, disse, dando exemplos de falta de operacionais para utilizar esses meios: “Têm a sala de operações, mas não têm ninguém a olhar para as câmaras”.
O autarca revelou ainda que, em Leiria, praticamente já não há agentes destacados para funções administrativas, estando a maioria no terreno, o que, ainda assim, não resolve a carência existente.
A solução, concluiu, dependerá sobretudo da capacidade do Governo em atrair e mobilizar novos agentes para a PSP e GNR, num contexto em que a profissão enfrenta dificuldades de recrutamento.
Entretanto, a Câmara Municipal deverá convocar o Conselho Municipal de Segurança, procurando manter o tema na agenda e pressionar por respostas mais robustas para um problema que, dizem, já não é apenas perceção, mas uma realidade sentida no terreno.
Do lado do PSD, Nuno Serrano fez uma alusão preocupada aos números do RASI, apelando a um “reforço do patrulhamento noturno e diurno nas zonas críticas do concelho”, com particular atenção ao Parque do Avião, ao centro histórico e ao percurso Polis.
O vereador da oposição apelou ainda a uma “articulação direta e permanente” com o Comando Distrital da PSP de Leiria, com “partilha de dados operacionais e indicadores de criminalidade local devidamente atualizados”








