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“Santa” Rosalía, o seu Cristo que chora diamantes e os fiéis… na Meo Arena

Abril 16, 2026 . 17:45
Opinião: “O que aconteceu na Meo Arena foi tudo isso e muito mais do que um concerto. Quando os primeiros acordes de “Sexo, Violência y Llantas” (após instalação da grande orquestra no centro da Meo Arena) se fizeram ouvir, percebeu-se de imediato que a noite seria envolta em atmosfera mística, numa comunhão de emoções vividas dentro e fora do palco”.

Começo por referir que, se há meia dúzia de meses me perguntassem se iria comprar um disco e/ou ver um concerto de Rosalía, a minha resposta era um rotundo Não, ainda que, logicamente conhecesse a sua obra e a importância da mesma.
Mas isso foi antes de “Lux” abanar o mundo da música e elevar Rosalía a uma dimensão estratosférica. E tudo isto só poderá parecer exagerado para quem não esteve atento ao mercado musical mundial nos últimos tempos (e não se trata de analisar se se gosta ou não, apenas a constatação de uma realidade). Lux foi (quase) unanimemente considerado o melhor ou um dos melhores álbuns editados em 2025, no qual a cantora catalã canta em 13 línguas, junta pop, eletrónica, flamenco, ópera, uma orquestra e nomes como Bjork, Carminho, Silvia Perez Cruz ou Yves Tumor, entre outros e assume uma transcendência feminina que atinge uma dimensão maior. Rosalía no topo do mundo da música, com um disco que marca o presente e o futuro da música.
Por tudo isto, a sua World Tour Lux surgiu com uma expetativa sem precedentes na carreira da cantora e como um dos grandes eventos internacionais da atualidade.
Portugal não fugiu à regra e a maior sala de espetáculos do país – Meo Arena – esgotou rapidamente duas noites, para se transformar num gigantesco santuário (muitos fiéis vestidos de branco e com lenços e bordados a condizer), onde emoções diversas, ora mais espirituais, ora mais dramáticas ou até explosivas foram surgindo e exploradas a níveis jamais atingidos nestes universos de música ao vivo (afirmo-o baseado na minha experiência em concertos ao vivo, pois já assisti a mais de um milhar de concertos dos mais variados estilos musicais), com uma super-produção pensada ao mais ínfimo pormenor.
Se as expectativas para os concertos eram enormes, elas seriam de longe ultrapassadas dando lugar a uma noite (infelizmente só assisti a uma) emocionalmente marcante, imersiva, a ser remetida para os melhores e mais seguros arquivos das nossas memórias. Um concerto Pop? Rock? Eletrónica? Flamenco? Ópera? Bailado?
O que aconteceu na Meo Arena foi tudo isso e muito mais do que um concerto. Quando os primeiros acordes de “Sexo, Violência y Llantas” (após instalação da grande orquestra no centro da Meo Arena) se fizeram ouvir, percebeu-se de imediato que a noite seria envolta em atmosfera mística, numa comunhão de emoções vividas dentro e fora do palco. Rosalía agradeceu intensa e emotivamente a receção que Portugal sempre lhe deu (desde a sua primeira apresentação no Teatro Circo de Braga em 2017, que referiu várias vezes) e que lhe estava agora a dar em Lisboa, a atingir uma outra dimensão. A viagem teve “Reliquia”, “Porcelana”, “Mio Cristo Piange Diamantes”, “Barghain”, “La Perla”, e outras pérolas, para terminar com “Magnólias”.
No meio, o momento que todos (ainda que secretamente) esperávamos: Carminho e Rosalía juntas para cantarem ao vivo (pela primeira vez) “Memória”. A fadista foi recebida por Rosalía com os maiores elogios: “É incrível que 15 anos depois de me apaixonar pela sua voz, tenha o prazer de convidar a Carminho” e “Esta mulher quando canta, parte-me em duas”. O dueto foi um dos grandes momentos e a Meo Arena veio abaixo…
Uma nota final: este texto foi – propositadamente - escrito escassas horas após o final do concerto, ainda com as emoções ao rubro. Porque foi, como acima referi, um concerto de emoções. Só assim o texto era verdadeiro.

Abril 16, 2026 . 17:45

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