
“Cooperação” é a chave para o crescimento do setor dos moldes
A indústria de moldes portuguesa está perante um ponto de viragem: ou reforça a cooperação entre empresas ou arrisca perder competitividade num mercado global cada vez mais concentrado.
Esta ideia dominou o Encontro da Indústria de Moldes, promovido pela CEFAMOL - Associação Nacional da Indústria de Moldes, que reuniu cerca de quatro dezenas de profissionais no Centro Empresarial da Marinha Grande.
Sob pressão crescente sobre margens, prazos e investimento, emergiu um consenso: o modelo tradicional, baseado em empresas isoladas, deixou de responder às exigências de clientes globais que procuram menos fornecedores, mas mais integrados e com maior capacidade de resposta.
“Se as empresas se conhecem e se encontram, porque não trabalham mais em conjunto”, questionou Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, lançando o debate sobre os entraves à cooperação. O responsável defendeu que o ganho de escala pode assumir várias formas, de parcerias informais a fusões e aquisições.
Integrado no projeto GEST.IM (Estratégia, Sustentabilidade e Transformação da Indústria de Moldes) o encontro evidenciou, porém, a dificuldade em transformar essa ambição em prática.
Entre os principais obstáculos surgem a falta de confiança, o desconhecimento mútuo e a resistência à mudança.
As intervenções do setor reforçaram o sentido de urgência. Gonçalo Caetano, da Simoldes, alertou para a vulnerabilidade dos fabricantes “entre grandes clientes e fornecedores globais”, enquanto Paulo Ferreira Pinto, da Moldworld, apontou o isolamento como “um dos principais entraves” à evolução do setor.
A especialização e o reconhecimento de competências também estiveram no centro do debate. “É preciso humildade para reconhecer quem faz melhor e cooperar nesse sentido”, defendeu Hugo Pedrosa, da Ferrol Marinha.
Já Filipe Santo, da MD Group sublinhou que a escala é condição essencial para subir na cadeia de valor..
O debate deverá prolongar-se nos próximos meses, culminando no Congresso da Indústria de Moldes, marcado para novembro, na Marinha Grande, onde o setor procurará definir caminhos concretos para o futuro.|








