
Trabalhos na sacristia do Mosteiro querem salvar pintura do século XV
Uma empreitada de tratamento da cobertura da sacristia do Mosteiro da Batalha quer salvar uma pintura mural do teto, do século XV, considerada a mais antiga em Portugal, revelou o monumento Património Mundial.
Numa informação enviada à agência Lusa lê-se que “a permeabilidade da cobertura, registada nos últimos anos, tem tido impacte negativo no interior da sacristia, nomeadamente em elementos de reconhecido valor histórico e artístico, como a pintura mural do teto, considerada a mais antiga existente em Portugal, datada dos inícios do século XV, e o espaldar de talha dourada, do século XVIII, único testemunho remanescente desta arte no Mosteiro da Batalha”.
Os trabalhos iniciaram no final de março e visam “a reparação total das juntas da cobertura, cujas argamassas se encontram fragilizadas, uma ação que, apesar de discreta e invisível para quem visita o monumento, é essencial para controlar as infiltrações que têm vindo a aumentar com a intensificação das chuvas nos últimos invernos”, adianta o monumento.
“Trata-se de um trabalho de manutenção indispensável à salvaguarda do monumento, que contribuirá, decisivamente, para a sua preservação”, refere.
À agência Lusa, a diretora do Mosteiro da Batalha, Clara Moura Soares, afirmou que a empreitada, orçada em cerca de 20 mil euros, deverá estar concluída até ao final de maio.
Clara Moura Soares esclareceu que a pintura do teto da sacristia apresenta “quatro anjos heráldicos que ostentam os brasões de D. João I, D. Filipa de Lencastre e D. Duarte”.
Já o quarto anjo está inacabado, “presumindo-se que se destinaria a ostentar o brasão de D. Leonor de Aragão, mulher de D. Duarte”, observou, realçando que se trata de “pinturas de elevadíssima qualidade plástica e que ostentam grande detalhe, e com uma dimensão internacional, embora não se saiba quem foi o seu autor”, observou.
“Apresentam, ainda, a singularidade técnica se serem pintadas diretamente sobre a pedra, sem qualquer camada de estuque preparatório”, realçou a diretora.
Quanto à talha, é uma obra de 1778, da “autoria do entalhador António Pereira da Silva”, que “foi responsável pela realização dos arcazes e dos espaldares”, acrescentou a diretora do monumento, Clara Moura Soares.
O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, no distrito de Leiria, resultou do cumprimento de uma promessa feita pelo rei D. João I, em agradecimento pela vitória na Batalha de Aljubarrota, travada em 14 de agosto de 1385, que lhe assegurou o trono e garantiu a independência de Portugal.
O monumento é, desde 1993, Património Mundial da Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.







