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Helena Roseta critica “incompetência” do Estado no apoio às populações

Arquiteta convidada da sessão solene do 25 de Abril expressou solidariedade para com Leiria, que sofreu com a passagem da tempestade, mas também “revolta” com o atual Governo, que “tem lidado com alguma displicência as urgências que estão a passar-se” nos concelhos afetados

Mesmo de luto, Helena Roseta não quis deixar de estar ao lado de Leiria no momento de assinalar o dia da Liberdade. A arquiteta, antiga deputada e figura de referência na defesa da democracia e da cidadania foi a convidada deste ano da sessão solene das comemorações do 25 de Abril na cidade do Lis para falar sobre ‘Os 50 anos do Poder Democrático’ e, apesar do falecimento do irmão, o cientista Carlos Salema, aos 84 anos, no mesmo dia em que passaram 52 anos da revolução, quis expressar solidariedade para com Leiria, severamente afetada pela depressão Kristin há quase três meses.

E foi em comoção que deixou algumas palavras a Leiria. “As pessoas tiveram muitas perdas este ano, algumas bem pessoais, bem duras, bem amargas, vidas muito difíceis e é em solidariedade com essas perdas que também estou hoje aqui, porque o 25 de Abril não celebra apenas a liberdade, celebra a fraternidade, a solidariedade, uma vida melhor, a paz, um discurso de amizade, de amor, contra os discursos de ódio. É também por isso que estou aqui”, disse, criticando quem desrespeita “os símbolos”.

Perante uma sala do Teatro Miguel Franco cheia, Helena Roseta manifestou “respeito” e “admiração” por Leiria, lembrando a “solidariedade” que expressou à comunidade desde a primeira hora – também a arquiteta enfrentou cheias quan­do era presidente de Câmara –, sentimento que “também tem um lado de revolta”.

“Eu, como muitos de vós, estou revoltada pela maneira como o poder central e, em particular, o atual Governo, tem lidado com alguma displicência com as urgências que estão a passar-se em todos os concelhos que foram atravessados e vitimados pela tempestade Kristin e pelas tempestades que se sucederam”, afirmou.

Assinalando os 50 anos da Constituição da República portuguesa, Helena Roseta lembrou o modelo de estado de direito democrático que “tem um nível central, um nível regional e um nível local”. “Os órgãos do poder local são Estado português. São representantes do Estado, eleitos diretamente pela população. Têm autonomia financeira, administrativa. Não posso compreender, sendo esta a organização do Estado, que tenha que ser necessário deixar nas mãos de uma comissão regional o acesso a financiamentos que depois têm de entregar à população. O circuito, para mim, era direto. Do poder central para os municípios e deles para as pessoas. Isto é democracia participativa, que é o que está na nossa constituição”, disse, apontando para “alguma incompetência na maneira como está a ser gerida a forma de apoiar as populações e as autarquias afetadas”. “Não é normal esta incompetência”, salientou.

Helena Roseta destacou o trabalho que tem sido feito no terreno e a “confiança” que sente existir no concelho de Leiria. “Vocês confiam nos vossos autarcas e nós sentimos isso. Há um sentimento de tristeza, de esperança, há uma vontade de resolver problemas, mas também confiam nos vossos autarcas, e isso é o bem mais precioso da democracia”, afirmou, mostrando-se disponível para apoiar a comunidade.

No final, lembrou a canção do rei D. Dinis, ‘Ai flores, ai flores do verde pino’, o Pinhal de Leiria, e as palavras recentes de Manuel Alegre, que defendeu a luta contra a perversão da linguagem, contra a mentira, a demagogia e o ódio. “Há hoje pessoas a perverter a linguagem, a inquinar a linguagem com palavras de ódio, que são mentira e demagogia, e não podemos aceitar isso. Quando se inquina a linguagem inquina-se a política”, alertou Helena Roseta.

Abril 27, 2026 . 08:00

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