Barbra Streisand – Muito mais que uma lenda, muito mais que um ícone…
Penso que haverá poucos nomes tão impactantes no mundo das artes (muito amplo e aglutinador) que não precisem de epítetos como lenda ou ícone, apesar de o serem, sem margem para duvidas. Um desses raros nomes é o de Barbra Streisand.
É cantora, compositora, atriz, produtora, diretora, realizadora e em todas ou por todas estas vertentes, ganhou Óscars (melhor atriz em “Funny Girl” em 1969 e Melhor canção com “A star is born” em 1977, sendo a primeira mulher a receber um Óscar, enquanto compositora) e dezenas, muitas dezenas de Emmys, Grammys, Globos de Ouro, Tonys, e mais uma lista sem fim de prémios das mais diferentes origens e – se quisermos – importâncias.
Barbra é a cantora que mais discos vendeu em toda a história da música e a única mulher no top 10 dos artistas que mais venderam desde sempre.
Em termos musicais, fez a estreia em 1963 (sim, há 63 anos) com o álbum “The Barbra Streisand Álbum”. Seguiram-se mais de 60 álbuns, a maioria deles marcantes na história da música, em diferentes vertentes e que fizeram com que Barbra Streisand seja a única artista a atingir a liderança dos tops mundiais, durante seis décadas consecutivas. Como bandas sonoras de filmes, nos quais esteve envolvida também como atriz, impossível não referir os clássicos “The way we were” (1974, com Robert Redford), “Funny Lady” (1975. Com James Caan), “A Star is born” (1976, com Kris Kristoferson), filme que foi alvo de nova abordagem em 2018 com Bradley Cooper e Lady Gaga), ou “Yentl” (1983, que a própria escreveu, dirigiu, produziu e interpretou de forma brilhante, com cinco nomeações para os Oscars). Numa área estritamente musical, não posso deixar de referir o papel do álbum “Guilty”, em parceria com Barry Gibb (Bee.Gees), que no início dos anos 80, alargou o sucesso para o chamado grande público, entrando num campo mais pop, do qual estava separada. “Memories”, curiosamente o disco que se seguiu a “Guilty”, confirmou essa incursão.
Barbra Streisand fomentou parcerias musicais com nomes que considerava importantes. E foram muitas, algumas delas improváveis à primeira vista. Frank Sinatra, Barry Manilou, Brian Adams, Donna Summer, Neil Diamond, Celine Dion, Paul Mccartney, Bob Dylan, Hozier, Mariah Carey, Lionel Richie, Sam Smith, Ariana Grande, são apenas alguns dos muitos e diferentes nomes, de diferentes gerações, com os quais Barbra Streisand fez duetos.
Nunca foi artista de grandes tournées, e esporadicamente vinha â Europa (Londres, Paris, Berlim, Viena, Bruxelas) para meia dúzia de concertos e dava um salto à Austrália. Nova Iorque, Los Angeles, Malibu, Las Vegas, foram os seus pontos de preferência para concertos ao vivo (vários deram origem a gravações e edições discográficas) que se tornaram momentos icónicos, momentos de uma vida. A Broadway era como que uma “segunda casa”, para quem nasceu ali ao lado, em Brooklyn.
Nos últimos 20 anos Barbra veio ao velho continente em 2007 e em 2013, regressando (uma última vez) em 2019 para um único concerto na Europa, em Londres (pois claro), num Festival no Hyde Park. Em palco Barbra Streisand falou, bebeu chá, convidou Lionel Richie,e Kris Kristofferson, cantou e encantou 70.000 fans idos de todo o mundo, incluindo eu, tornando – por todas as razões – aquela noite, numa noite mágica, uma noite tão impensável de realizar, como inesquecível porque… se realizou.
Reduzir a história, o percurso, a importância como artista, o papel enquanto ser humano e ativista social de Barbra Streisand, a meia dúzia de linhas, é algo injusto e difícil de realizar. Fica talvez o desafio para uma pesquisa da vida e obra de mulher fantástica, que no passado dia 24, completou 84 anos. Por todas as razões acima referidas, considero-me um privilegiado por puder dizer (principalmente a mim) “eu vi a Barbra Streisand”.






