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Cândido ou Optimista

Maio 12, 2026 . 12:30
Opinião: “O nosso País continua parado no tempo e se em vez das frases escolhidas para iludir a realidade enfrentarmos a dura realidade dos números, a candura optimista de líder do PSD torna-se visível”.

Não sei se o primeiro-ministro Luís Montenegro é apenas cândido ou muito optimista, mas sei que o seu discurso, para consumo público dos portugueses, tem pouco a ver com a realidade. De facto, o nosso País continua parado no tempo e se em vez das frases escolhidas para iludir a realidade enfrentarmos a dura realidade dos números, a candura optimista de líder do PSD torna-se visível.

Em termos de crescimento económico, de que tudo o resto depende, há um quarto de século que o crescimento da economia portuguesa é de quase estagnação. E se é verdade que o ano passado a economia portuguesa cresceu 1,9% acima da média europeia de 1,6%, por outro lado a inflação é de 2,4% e superior ao crescimento no mesmo ano, 2025. Além de que a média europeia é baixa por influência dos países da linha da frente, com níveis de desenvolvimento muito superiores aos nossos, além de que os países do nosso campeonato e que entraram na União Europeia muito depois de nós, crescem mais.

Uma outra questão que Luís Montenegro omite, como aliás os governos anteriores, é a pobreza das exportações portuguesas, as mais baixas de entre todos os países da União Europeia da nossa dimensão e com pequenos mercados internos, exportações em queda acentuada este ano e o ano passado. Sem que o governo da AD mostre compreender duas coisas: (1) que as exportações não crescem devido ao número excessivo de pequenas empresas comerciais que não exportam; (2) que a pobreza e a concorrência excessiva no mercado interno, por força do excesso de empresas comerciais com baixos investimentos em capital produtivo, reduz o potencial exportador, quando sabemos que apenas as exportações permitem uma valorização significativa do trabalho nacional e melhores salários.

Igualmente, o facto de em Portugal mais de 95% das empresas serem muito pequenas e de uma grande maioria serem comerciais, resulta em baixa produtividade, que assim se manterá independentemente das leis do trabalho. De facto, temos a mais baixa produtividade da União Europeia depois da Grécia, 19.301 euros, quando a Irlanda, em segundo lugar, soma 50.347 euros, Irlanda que há trinta anos estava na rectaguarda de Portugal.

Esta questão da produtividade e da sua relação com o nível das exportações, tem a ver com o excesso de pequenas empresas comerciais, é reveladora de Luís Montenegro e o seu governo ainda não terem compreendido as verdadeiras origens do fraco crescimento da economia. Da mesma forma, que aparentam não compreender as virtudes do sector industrial, nas condições nacionais de existência de muitas centenas de milhares de trabalhadores com baixas qualificações, porque apenas a indústria pode melhorar as exportações e, ao mesmo tempo, criar os empregos necessário, porque os postos de trabalho na indústria executam operações repetidas de relativa facilidade e rapidez de formação. Ou seja, o melhor salário no sector industrial pode atrair os trabalhadores que agora existem em número excessivo nas pequenas empresas comerciais, a maioria sem qualquer futuro.

Existem ainda outras incompreensões do primeiro-ministro relativamente às causas do fraco crescimento da economia, tais como: (a) a ausência do objectivo de nivelamento social das crianças na fase do pré-escolar, o que condena à pobreza metade da nossa sociedade; (b) a importância da logística para a atracção do investimento estrangeiro na indústria. Acresce , finalmente, a difícil tarefa de saber antecipar as transformações no horizonte da economia e da sociedade portuguesa, mas diga-se em abono da verdade que as oposições políticas também não sabem.

Maio 12, 2026 . 12:30

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