
“A consistência, mais do que resultados imediatos, é o que realmente constrói carreira”
Nome: Fernando Camarate Santos
Idade: 45 anos
Escola Superior de Educação de Leiria (atual ESECS)
Curso: Turismo
Ano de conclusão: 2004
Profissão: Head of Strategic Partnerships & Distribution na TUI
Recorda-se do seu primeiro dia no Politécnico de Leiria?
Lembro-me muito bem. Foi o dia da matrícula e, sobretudo, o meu regresso a Leiria depois de viver sete anos em Moçambique. Recordo a sensação de voltar “a casa”: passei esse dia a percorrer a cidade sozinho, a redescobrir as cores, os cheiros e os recantos que marcaram a minha infância. Foi um reencontro emocionante.
Porquê o IPLeiria?
Escolhi o Politécnico porque oferecia o curso de Turismo e, ao mesmo tempo, a possibilidade de regressar à minha cidade. Sempre vi o Turismo como uma área que me permitiria conhecer o mundo sem perder as raízes. Além disso, tinha referências muito positivas sobre a qualidade do curso, o que reforçou a decisão de regressar a Leiria.
Quais as melhores memórias que guarda?
Guardo memórias muito vivas dessa fase: os ritos de caloiro, as viagens que fiz enquanto membro da Tuna Académica, os fins de semana a trabalhar no Pingo Doce e na Telepizza para pagar os estudos. Mais tarde recebi uma bolsa de estudo, o que me permitiu dedicar-me totalmente às aulas. Lembro, com carinho, os colegas, os jantares, os professores e os dias passados no antigo convento junto ao Castelo e, depois, no edifício próximo da Rotunda D. Dinis.
Como foi o seu percurso após o término do curso?
Comecei na Lusoviagens, em Leiria, onde permaneci um ano. Depois trabalhei no Millennium BCP enquanto concluía um MBA em Estratégia Empresarial. Emigrei para a Alemanha e depois para Dublin, onde integrei o departamento de marketing da Ryanair. Regressei a Portugal para trabalhar na Parfois na expansão de negócios. Seguiu-se Londres, onde entrei numa empresa que viria a ser adquirida pela TripAdvisor. Hoje vivo na Alemanha, em Pfaffenhofen, e trabalho na TUI, onde sou responsável por um departamento de parcerias estratégicas e distribuição.
Quais foram as motivações para emigrar?
O próprio curso de Turismo despertou em mim o desejo de conhecer o mundo. Quis experimentar novas culturas, novas realidades empresariais e continuar a crescer pessoal e profissionalmente. Hoje tenho uma vida multicultural: falamos quatro línguas em casa e mantemos Portugal como centro afetivo.
E de que modo o Politécnico contribuiu para a sua formação e carreira profissional?
Deu-me uma base sólida e alimentou a minha curiosidade. A preparação em Turismo e o contacto precoce com o marketing digital foram fundamentais para acompanhar a evolução do setor. O curso ensinou-me a ver o mundo como um lugar de oportunidades e a procurar sempre aprender mais.
Que competências considera mais relevantes para se ser um bom profissional?
Reflexão, capacidade de aprender continuamente e distinguir o essencial do ruído. Manter humanidade num mundo digital, ter curiosidade por outras culturas e pensar sempre a longo prazo. A consistência, mais do que resultados imediatos, é o que realmente constrói carreira.
Onde se vê daqui a 10 anos?
Provavelmente ainda na Alemanha, mas com ligação cada vez mais forte a Portugal. Quero continuar a crescer profissionalmente e a desenvolver o meu lado de escritor. Publiquei recentemente o meu primeiro romance, ‘A Face Sombria do Amor’, e gostaria de escrever um livro a cada dois anos.
Que mensagem gostaria de deixar aos atuais e futuros estudantes do IPLeiria?
Ouçam a vossa própria voz mais do que o ruído à volta. Descubram o que vos apaixona, usem a tecnologia a vosso favor e pensem no longo prazo. A criatividade, a persistência e a autenticidade são as chaves para alcançar voos altos.








