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Ministro anuncia reforço de apoio à distribuição de jornais em territórios de baixa densidade

As dificuldades do jornalismo regional foram discutidas durante o debate subordinado ao tema ‘O Papel da Comunicação Social Regional’

O Governo vai avançar, nas próximas semanas, com um concurso de apoio à distribuição de jornais e publicações periódicas em territórios de baixa densidade, num investimento de cerca de quatro milhões de euros destinado também a apoiar pontos de venda e a garantir que a imprensa regional continua a chegar a várias zonas do país.

O anúncio foi feito por António Leitão Amaro durante o debate subordinado ao tema ‘O Papel da Comunicação Social Regional’, que decorreu, na quarta-feira, no Hotel Eurosol Residence, em Leiria, numa iniciativa promovida pela concelhia e pela distrital do PSD de Leiria. “É absolutamente crucial, se queremos ter uma democracia local forte, termos comunicação social regional e local”, afirmou o governante, alertando para o risco de existir um “deserto noticioso” caso os meios regionais deixem de conseguir assegurar a sua sustentabilidade.

Além do reforço do apoio à distribuição, António Leitão Amaro destacou outras medidas implementadas pelo Governo, como a duplicação do “porte pago” para jornais e publicações periódicas, bem como a transmissão de tempos de antena também na comunicação social regional e local.

O ministro referiu ainda as alterações à lei do mecenato, que passam a permitir benefícios fiscais às empresas que apoiem projetos de comunicação social.

A presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, Cláudia Maia, considerou que as dificuldades sentidas pelos jornalistas refletem diretamente a situação vivida pelas empresas de comunicação social. “Aquilo que se passa hoje com os jornalistas é o reflexo das empresas de comunicação social”, afirmou, lembrando o aumento dos custos associados ao setor, como o papel.

A responsável alertou ainda para a mudança nos hábitos de consumo de informação, sobretudo entre os mais jovens.

Apesar disso, sublinhou que “o jornalismo continua a ser bem feito”, mas reconheceu que a proliferação de conteúdos “travestidos de jornalismo” acaba por desacreditar os meios de comunicação social.

Cláudia Maia considerou que grande parte da informação utilizada pela Inteligência Artificial é produzida pelos jornais “em seu benefício próprio”, defendendo mais legislação que obrigue estas plataformas a pagar pelos conteúdos jornalísticos.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão, Luís Mendonça, defendeu a rádio como um meio “sério, credível e de confiança”, destacando a importância do meio radiofónico em contextos de crise e proximidade local.

O responsável apontou também a falta de investimento por parte do Governo do PS e criticou o facto de as rádios locais não terem acesso aos mesmos tempos de antena atribuídos a rádios nacionais e regionais.

Por sua vez, o presidente da Distrital e Deputado na Assembleia da República, Hugo Oliveira, sublinhou a importância da comunicação social regional para estimular o sentido crítico e garantir escrutínio democrático. “A comunicação social tem obrigação de criticar, expor os factos e informar. Se a comunicação social regional deixar de ter espaço para isso, o risco é enorme”, afirmou.

Maio 22, 2026 . 15:30

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