
Factory Talks afirmam Porto de Mós como território industrial de referência
A Real Factory – Creative Hub, no Juncal, voltou a receber empresários, associações empresariais, autarcas, académicos e especialistas para a segunda edição das Factory Talks, iniciativa que, sob o mote ‘The Future Matters’, promoveu dois dias de debate em torno dos desafios e oportunidades que marcam o tecido económico da região.
O evento reuniu representantes de alguns dos principais setores de atividade de Porto de Mós — metalomecânica, cerâmica e indústria extrativa e transformação de pedra — num encontro marcado pela partilha de experiências, pela reflexão sobre o futuro da indústria e pela procura de soluções conjuntas para problemas comuns.
Para o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, as empresas continuam a ser “o motor da economia do concelho”. À margem do evento, o autarca sublinhou ao Diário de Leiria a importância de iniciativas como as Factory Talks para valorizar o tecido empresarial local e reconhecer o papel determinante das empresas no desenvolvimento económico do território.
“Um concelho dinâmico é um concelho que tem empresas saudáveis, inovadoras, sustentáveis e com capacidade e visão para se internacionalizarem”, afirmou. Segundo Jorge Vala, Porto de Mós está “bem posicionado” nestes três eixos fundamentais, destacando ainda o contributo do encontro para a partilha de conhecimento entre empresas e academia.
“O município entende que este evento é também uma forma de reconhecermos as empresas enquanto parceiros fundamentais. Criam emprego, fazem acontecer e desenvolvem, como nenhum outro, a economia do concelho”, referiu.
O autarca destacou ainda os indicadores económicos do município, apontando o crescimento do rendimento médio das famílias como reflexo direto da evolução do tecido empresarial local. Para Jorge Vala, este crescimento resulta da capacidade das empresas em gerar valor e pagar bons salários. “Isso tem a ver com a produtividade, com setores onde a exigência de formação é maior e onde a atratividade também exige melhores vencimentos”, frisou, concluindo que as Factory Talks representam “um momento de reconhecimento ao tecido empresarial”.
Também André Coelho, fundador da consultora criativa CO+K e um dos dinamizadores do encontro, fez um balanço muito positivo desta segunda edição, destacando o forte envolvimento das empresas e da comunidade.
“O desafio era claro: trazer o tecido empresarial centrado nos principais setores de atividade da região de Porto de Mós e desafiá-los a discutir e partilhar dores e oportunidades comuns, nomeadamente talento, sustentabilidade e inovação”, explicou.
Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram oportunidade de assistir a dezenas de intervenções e visitar unidades industriais da região, num “safari empresarial” que procurou mostrar diferentes realidades produtivas em três fábricas distintas.
“A Val do Sol e a [Maria] Terracota mostraram-nos uma realidade muito ligada a processos manuais e de elevado valor acrescentado do ponto de vista da criatividade e da inovação. Já a Coelho da Silva apresentou soluções tecnológicas que permitiram automatizar processos que anteriormente castigavam muito o corpo humano”, detalhou.
Além das visitas empresariais, o evento contou ainda com momentos de ‘networking’ e intervenções ligadas ao financiamento, inovação e desenvolvimento territorial. André Coelho destacou a presença de Gonçalo Regalado, que classificou como “uma energia super positiva e inspiradora no apoio às empresas”, e de Pedro Pimpão, presidente da Associação Nacional de Municípios, que abordou “o papel do território no futuro e no apoio às indústrias”.
No segundo dia, passaram pelo palco mais de 30 oradores, que debateram temas como liderança, academia, inteligência artificial, tecnologia e gestão de talento.
“Falou-se muito do papel da tecnologia nesta ideia colaborativa com o ser humano. Foi extremamente enriquecedor”, afirmou o responsável da CO+K, defendendo que o verdadeiro impacto das Factory Talks deverá prolongar-se para além do evento. “Eu acredito que o Factory Talks não termina hoje [quarta-feira]. Este foi um ponto de partida para que as empresas conversem cada vez mais entre si e partilhem problemas que, muitas vezes, são os mesmos, apesar de os setores serem diferentes”, sustentou.
Quanto à adesão desta segunda edição, André Coelho admitiu ter sido surpreendido pela dimensão do envolvimento empresarial e comunitário. “Estou surpreendido pela positiva. Tivemos um enorme envolvimento das grandes e pequenas empresas, apoio financeiro e logístico, e até o jantar foi desenvolvido e oferecido pelos principais produtores locais da região”, destacou.







