
PR diz que “o Estado e os empresários têm de caminhar lado a lado”
O Presidente da República defendeu hoje, em Leiria, que “o Estado e os empresários têm de caminhar lado a lado”, lamentando que os instrumentos de financiamento não saibam ler o valor real das empresas.
António José Seguro destacou que é preciso “valorizar os ativos intangíveis” das empresas, uma vez que o seu valor “reside cada vez mais no conhecimento, nos dados e na capacidade de inovar”, mas “a avaliação do setor financeiro ainda não se compagina com este olhar".
“É também por isso que o Estado e os empresários têm de caminhar lado a lado, cada um assumindo plenamente as suas responsabilidades”, reforçou, na sessão de encerramento das "Conversas com Fomento", que decorreram o pavilhão Carlos Neto, em Leiria.
O chefe de Estado concretizou que os “instrumentos de financiamento foram concebidos para avaliar o que se vê: máquinas, imóveis, 'stocks'”. Assim, “uma empresa inovadora em capital humano e processos de inovação e desenvolvimento consolidados pode ter dificuldade em aceder a crédito”, “simplesmente porque o sistema financeiro não sabe ler o seu valor real”.
Para António José Seguro, este problema “merece ser reconhecido pelo sistema financeiro e pelas políticas públicas”.
“É reconhecido que temos talento, ciência e capacidades na indústria. No entanto, falta-nos escala, consistência e velocidade”, apontou, ao referir que “demasiadas iniciativas de inovação ficam circunscritas a uma empresa, a um projeto, a um território”, impedindo-a criação de massa crítica.
Assim, “não transformam setores”, ou seja, “não ganham escala”.
António José Seguro disse que “para haver consistência, a inovação tem de fazer parte da cultura organizacional” e defendeu que se passe da “inovação como talento individual para a inovação como competência coletiva”.
O Presidente da República criticou ainda a “lentidão das estruturas de decisão, públicas e privadas”, que não se compaginam com a “velocidade do mundo de hoje”, que “não tem tempos de espera”.
“Quem chega tarde perde o lugar. Necessitamos de maior ligação entre ciência e empresa. Precisamos de construir pontos reais entre o saber que se produz nas nossas instituições académicas e os problemas concretos que as empresas enfrentam todos os dias”, realçou.
A criação de um Banco de Fomento para Portugal foi uma ideia defendida por António José Seguro em junho de 2013, revelou, ao afirmar que, “como tantas vezes acontece na política, as ideias fazem o seu caminho”.
“Às vezes demoram anos, mas quando são concretizadas, percebemos porque valeu a pena insistir. O Banco Português de Fomento é hoje uma realidade que se impõe pelos seus resultados”, frisou, ao anunciar que, em 2025, a entidade bancária “mobilizou 6,5 mil milhões de euros em financiamento e garantias, apoiou cerca de 17 mil empresas e representou um impacto de 2,2% do PIB nacional”.
“São números que falam por si. Mas o que me parece mais relevante, mais do que os números, é o que eles representam. A afirmação de que existe em Portugal um instrumento financeiro soberano ao serviço do desenvolvimento e das nossas empresas”, reforçou.
O Banco Português de Fomento “vai onde o mercado não chega, assume riscos que a banca comercial não pode ou não quer”, o que "faz com missão pública e rigor institucional”.






