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CCDR quer concluir até final de junho a análise das candidaturas à habitação

A meta, considerada a “primeira prioridade” da estrutura, foi anunciada durante a terceira edição do ‘Conversas com Fomento’, que reuniu mais de mil empresários e agentes económicos em Leiria.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), José Ribau Esteves, afirmou ontem, em Leiria, que a prioridade absoluta da estrutura passa por concluir, até ao final de junho, o processo de apreciação e decisão das 24 mil candidaturas relacionadas com os apoios à habitação na sequência da depressão Kristin.
A garantia foi deixada durante o painel ‘Agilidade e Impacto na Reconstrução’, integrado na terceira edição do ‘Conversas com Fomento’, iniciativa promovida pelo Banco Português de Fomento no Pavilhão Carlos Neto, em Leiria, que reuniu mais de mil empresários, autarcas, responsáveis institucionais e entidades públicas para discutir os desafios da recuperação económica e da reconstrução dos territórios afetados.
“Fixámos até final de junho terminarmos o trabalho de apreciação e decisão das tais 24 mil candidaturas de habitação. Essa é a nossa primeira prioridade e tenho a convicção que vamos cumprir esse objetivo”, declarou Ribau Esteves.
Segundo o responsável, dos 24 mil processos submetidos já foram concluídos cerca de nove mil, num esforço que classificou como “sem precedentes” em termos de rapidez de resposta. “Batemos todos os recordes de reação”, afirmou, lembrando que ainda hoje continuam por resolver processos relacionados com os incêndios de outubro de 2017.
O presidente da CCDR Centro reconheceu, contudo, as dificuldades iniciais do processo, nomeadamente a adaptação da plataforma informática originalmente criada para os incêndios de 2017 à nova realidade provocada pela tempestade. “Houve um primeiro tempo muito pouco produtivo, em que ninguém estava a manusear bem as ferramentas”, admitiu.
Leiria continua a ser o concelho mais pressionado pelo volume de candidaturas. Segundo Ribau Esteves, 42% dos nossos processos “são só no município de Leiria”, o que representa “uma sobrecarga extraordinária” face aos restantes territórios afetados.
Também presente no debate, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, destacou a capacidade de resposta demonstrada pelas empresas e pela população logo após a tempestade, tendo relatado situações de cooperação entre empresas concorrentes que, perante a emergência, se uniram para garantir entregas e compromissos.
Ainda assim, alertou para os entraves associados às seguradoras. “O relacionamento com as companhias de seguros faz com que muito do investimento e da vontade de reerguer com maior rapidez esteja a ser limitado”, criticou.
O presidente da Câmara de Leiria valorizou ainda o papel do Banco Português de Fomento no apoio à confiança empresarial durante o processo de recuperação. “Foi um fator determinante para se ganhar confiança”, disse.
Na sua intervenção, Gonçalo Lopes deixou também um alerta sobre os impactos das alterações climáticas e a necessidade de preparar os territórios para futuros fenómenos extremos. “A tempestade vai voltar. Não há dúvida nenhuma”, afirmou, defendendo que a experiência vivida em Leiria poderá servir de referência para outras regiões do país.

“Materialização do horror”
Já a diretora financeira da Futura Plásticos, Neuza Lopes, sublinhou o impacto humano e emocional da tempestade nas empresas. “O dia 28 foi a materialização do horror”, afirmou.
Para a gestora, a principal conclusão a retirar da crise é a necessidade de reforçar a cultura de gestão de risco em Portugal. “Nós não podemos continuar a construir um modelo em que a resposta a este tipo de eventos venha exclusivamente do Estado”, defendeu.
Neuza Lopes considerou que a tempestade expôs fragilidades estruturais na preparação das organizações para situações de crise, apontando a escassez de planos de contingência nas empresas portuguesas. “Temos uma oportunidade única de mudar de forma estrutural a forma como se olha para a gestão de risco”, sustentou.
Já o presidente da direção da Nerlei CCI, Luís Febra, apontou falhas de coordenação entre entidades na fase inicial da resposta à tempestade. “Nós não sabíamos muito bem com quem falar”, admitiu, defendendo maior articulação institucional para garantir respostas mais rápidas e eficazes às empresas afetadas.
Luís Febra reconheceu ainda que a própria missão da Estrutura de Missão demorou a ser compreendida pelos agentes locais. “Se tivéssemos sabido [a missão], teríamos feito um trabalho em conjunto mais próximo e mais cedo”, concluiu.

Maio 29, 2026 . 08:00

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