
Associação alerta que falta de faroleiros ameaça segurança marítima
A falta de faroleiros em Portugal está a colocar em risco a segurança marítima e o cumprimento das normas internacionais de navegação. O alerta é lançado pela Associação Sócio-Profissional dos Faroleiros (ASPFA), que denuncia um cenário de envelhecimento dos profissionais no ativo, ausência de renovação geracional e escassez de recursos humanos nas estações costeiras.
Em comunicado divulgado por ocasião do oitavo aniversário da associação, a estrutura representativa dos faroleiros considera que a atual situação “compromete a missão essencial de garantir a segurança da navegação ao longo da costa portuguesa” e pode colocar o país em incumprimento face às obrigações internacionais no setor marítimo.
Segundo a ASPFA, o setor enfrenta um elevado número de aposentações previstas nos próximos três a nove anos, sem que exista substituição atempada de efetivos. A associação refere ainda que a reduzida entrada de novos profissionais nos últimos anos tem agravado a sobrecarga operacional dos poucos faroleiros atualmente no ativo.
O problema é particularmente sentido em estações remotas e de difícil acesso, onde o isolamento profissional e o desgaste físico e psicológico dos trabalhadores têm vindo a aumentar.
A associação alerta também para impactos diretos no funcionamento das ajudas à navegação, nomeadamente atrasos na reparação de avarias em faróis, farolins e boias, falhas nos sistemas de sinalização marítima, degradação das infraestruturas e atrasos na modernização tecnológica dos sistemas de controlo costeiro.
No comunicado, a ASPFA avisa ainda que Portugal poderá falhar a implementação das diretrizes da Associação Internacional de Sinalização Marítima, colocando em causa a fiabilidade da costa portuguesa enquanto corredor marítimo seguro e aumentando o risco de acidentes marítimos e de potenciais desastres ambientais.
Perante este cenário, a associação defende a abertura urgente de novos concursos de recrutamento, o reforço dos quadros operacionais e a valorização das condições de trabalho da carreira, através da criação de um estatuto sócio-profissional “ajustado ao enquadramento legal em vigor, por forma a assegurar a continuidade, a segurança e a qualidade do serviço público prestado pelos faroleiros portugueses”. “Os números são inequívocos. O momento de agir é agora”, conclui a direção nacional da ASPFA, num apelo dirigido ao ministro da Defesa Nacional.
Recorde-se que no distrito de Leiria existem três faróis: o Farol do Penedo da Saudade (São Pedro de Moel, Marinha Grande), Farol do Cabo Carvoeiro (Peniche) e Farol da Nazaré.







