
Residência artística termina com mostra sobre a tempestade
A exposição ‘A Fala do Tronco’, da artista Sofia Silva, inaugura hoje, pelas 16h00, no Centro de Artes Villa Portela – Edifício dos Laboratórios Criativos. A mostra contará com a participação do artista convidado Alexandre de Magalhães e com co-curadoria de Ana David Mendes.
O projeto resulta de uma residência artística desenvolvida ao longo de quatro meses nos Laboratórios Criativos da Villa Portela, na sequência do desafio lançado a artistas para a documentação das árvores centenárias da instituição, sob o mote ‘Sem flash, sem obturador, sem câmara’. Foi neste contexto que Sofia Silva concebeu e amadureceu ‘A Fala do Tronco’.
“A exposição nasce de um acontecimento marcante: a passagem da tempestade Kristin, que atingiu severamente o distrito de Leiria na madrugada de 28 de janeiro de 2026, provocando a queda de dois cedros-do-Atlas centenários existentes no jardim do Centro de Artes Villa Portela”, explica a Câmara de Leiria em comunicado, esclarecendo que a mostra reúne quimigramas, cromatografias do solo, cianotipias, antotipias, objetos escultóricos e suportes orgânicos produzidos a partir de celulose bacteriana, propondo uma reflexão sobre ecologia, fotografia e sustentabilidade.
“Partindo dos vestígios deixados pela tempestade — troncos, raízes, fungos, líquenes, folhas, cinzas, serradura e solo — Sofia Silva desenvolve uma instalação multidisciplinar centrada em práticas de fotografia experimental, processos fotográficos sustentáveis e criação de biomateriais. A artista transforma a matéria orgânica em elemento ativo de criação artística, explorando novas possibilidades de relação entre imagem, natureza e memória”, lê-se na sinopse da mostra.
A exposição, patente ao público atá 30 de agosto, integra ainda uma colaboração com o artista Alexandre de Magalhães, autor das fotografias de grande formato apresentadas na mostra, incluindo uma obra inspirada na personagem ‘Log Lady’, da série Twin Peaks, de David Lynch. A peça resulta da encenação e ativação de um colar de folhagens do tronco de Melaleuca, espécie arbórea australiana existente no parque da Villa Portela, evocando dimensões simbólicas, ritualísticas e proféticas associadas às árvores e à paisagem.







