
Bombeiros Voluntários celebram aniversário com casa quase renovada e novas viaturas
Quem entra hoje no quartel dos Bombeiros Voluntários de Leiria dificilmente imagina a destruição que ali existia há quatro meses. Os sinais da passagem da depressão Kristin praticamente desapareceram, dando lugar a já alguns espaços renovados, equipamentos recuperados e a uma corporação ainda mais resiliente.
Foi neste ambiente de superação que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (AHBVL) de Leiria assinalou, ontem, o 42.º aniversário, numa cerimónia marcada pela bênção de duas novas viaturas, promoções e condecorações.
Ao nosso jornal, o presidente da direção da AHBVL, José Almeida Lopes, adiantou que os trabalhos de recuperação do quartel-sede (Outeiros da Gândara) se encontram “a meio” e deverão estar concluídos em outubro.
Já no quartel de Monte Redondo, as obras arrancaram recentemente e têm conclusão prevista para novembro.
Durante a cerimónia, José Almeida Lopes anunciou ainda a atribuição de um louvor ao corpo de bombeiros. “Em momento algum parámos o socorro às populações”, salientou, recordando que, apesar dos danos sofridos nos quartéis e das dificuldades vividas pelas próprias famílias dos operacionais, a resposta às ocorrências nunca foi interrompida.
“Às seis e meia da manhã do dia 28 parámos de nos lamentar. Não ficámos à espera que caíssem apoios. Começámos a trabalhar”, recordou.
Almeida Lopes agradeceu ainda a solidariedade demonstrada por entidades, empresas e particulares que contribuíram para a reconstrução dos quartéis, sublinhando que uma parte significativa da mão de obra foi e está a ser assegurada pelos próprios bombeiros.
O responsável aproveitou igualmente a ocasião para alertar para as dificuldades que o voluntariado enfrenta, considerando que os bombeiros continuam sem o reconhecimento e os apoios necessários.
“Não só no nosso meio, em Leiria, mas a nível nacional, o voluntariado está a passar por dificuldades. Dificuldades essas que só acontecem porque ao longo dos anos não fomos merecedores da atenção dos nossos governantes e também dos deputados da Assembleia da República, porque sempre nos presenteiam com palavras bonitas, mas esquecem-se do que é fundamental para manter e alimentar o voluntariado”, criticou.
Almeida Lopes defendeu ainda a criação de mais mecanismos de apoio que lhes permitam disponibilizar mais tempo para a atividade voluntária.
Dirigindo-se ao deputado da Assembleia da República eleito pelo Chega, Luís Paulo Fernandes, Almeida Lopes pediu que levasse ao Parlamento a mensagem de que os Bombeiros Voluntários de Leiria estão “muito desgostosos” com o “não tratamento”. “Ou rapidamente se invertem os apoios ao voluntariado ou o voluntariado tem os dias contados”, alertou.
Na sua intervenção, defendeu ainda a criação de um estatuto social “mais digno” para os bombeiros voluntários.
Também o comandante dos Bombeiros Voluntários de Leiria, Paulo Grilo, salientou a necessidade de “reforçar o voluntariado”, pois, “cada vez mais a população” precisa dos bombeiros e da sua dedicação.
O comandante destacou ainda que perante cada pedido de ajuda após a tempestade, existiu sempre “uma resposta pronta”, apesar das longas horas consecutivas de trabalho.
À margem da cerimónia, Paulo Grilo admitiu ao nosso jornal que celebrar este aniversário é especialmente marcante para a corporação. “Estamos a recuperar, já temos todos os meios no ativo, temos as viaturas praticamente todas recuperadas”, afirmou, sublinhando que o quartel está hoje “mais resiliente” para enfrentar futuras situações de emergência.
Também o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Leiria, Carlos Guerra, recordou a visita realizada ao quartel nos dias que se seguiram à tempestade. “Quando aqui cheguei após a tempestade percebi que esta obra ia renascer”, afirmou, considerando que a corporação conseguiu transformar a adversidade numa oportunidade para se fortalecer.
Carlos Guerra deixou ainda um apelo aos bombeiros para a época de incêndios que se aproxima, pedindo que façam do combate aos fogos uma missão assente nas maiores regras de segurança.
Já o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, sublinhou que a verdadeira dimensão da instituição ficou demonstrada quando a própria casa dos bombeiros foi atingida e, ainda assim, os operacionais continuaram a responder aos pedidos de socorro da população. “Quando tudo parecia desmoronar, esta instituição não só se ergueu dos escombros, como continuou a sair para proteger os outros”, afirmou o autarca.
O bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, benzeu um veículo florestal de combate a incêndios, cedido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, e uma ambulância de socorro adquirida através de fundos próprios da associação.








