
Egito apresenta potencialidades de mercado para moldes portugueses
O mercado egípcio está a afirmar-se como uma oportunidade relevante para a internacionalização da indústria portuguesa de moldes, impulsionado pelo crescimento dos setores automóvel, da embalagem e dos eletrodomésticos, pela aposta governamental na produção local e pela posição estratégica do país como plataforma de acesso aos mercados africanos e do Médio Oriente. Estas foram algumas das principais conclusões do ‘webinar’ Unboxing Markets: Mercado do Egito, promovido pela Cefamol – Associação Nacional da Indústria de Moldes, que reuniu dezenas de profissionais do setor para debater as oportunidades e potencialidades daquele mercado.
A sessão, realizada na passada quarta-feira, contou com as intervenções de Pedro Garcia e Henrique Ferreira, da MAAB Consulting.
Durante a sua apresentação, Pedro Garcia destacou o potencial da região árabe, sublinhando tratar-se de mercados “ricos em recursos energéticos”, com uma população jovem e uma forte presença de multinacionais que “necessitam de know-how para crescer”. O responsável salientou ainda que o Egito “tem vindo a afirmar-se como plataforma estratégica para acesso a outros mercados em África e no Médio Oriente”.
Para as empresas portuguesas, a entrada neste mercado exige, contudo, uma abordagem sustentada e de proximidade. “O tempo dos negócios não é rápido”, advertiu Pedro Garcia, acrescentando que, neste contexto, “as relações pessoais e de confiança são essenciais”. Uma vez conquistada a confiança do cliente, referiu “dificilmente mudam de parceiro de negócio”.
Entre os fatores críticos para o sucesso, o consultor apontou a identificação de distribuidores qualificados, a presença contínua no mercado através da participação em feiras e da realização de visitas regulares, bem como a adaptação das propostas ao contexto industrial local. A apresentação de referências de projetos desenvolvidos em mercados comparáveis e o apoio em processos de certificação técnica surgem igualmente como aspetos valorizados pela indústria egípcia.
Por sua vez, Henrique Ferreira centrou a sua intervenção nos setores com maior potencial para os moldes portugueses. No segmento automóvel, destacou a meta do país de produzir internamente 45% dos componentes dos veículos fabricados localmente até 2030. Revelou ainda que, entre 2024 e 2025, o Egito registou “o maior ciclo de investimento automóvel da sua história”, com as vendas a duplicarem nesse período.
Apesar da presença de grandes fabricantes internacionais, a produção local continua aquém das necessidades do mercado. Painéis interiores, conectores elétricos, peças técnicas para motores e caixas para sistemas eletrónicos foram identificados como algumas das oportunidades mais relevantes para os fabricantes de moldes. Também o setor da embalagem surge como uma área em forte expansão, sobretudo nos segmentos alimentar, farmacêutico, cosmético e logístico.
Numa estratégia de entrada no mercado, Henrique Ferreira considerou que os fabricantes portugueses podem optar entre a exportação direta a partir de Portugal ou o estabelecimento de parcerias locais, defendendo uma análise “caso a caso” das soluções mais adequadas para cada empresa e cliente.
Os dois oradores reconheceram ainda que o aumento dos custos de transporte, influenciado pela atual conjuntura internacional, representa um desafio adicional para as empresas interessadas em desenvolver atividade naquele mercado.








