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“Nada se perde, tudo volta”: o sistema que quer mudar a reciclagem

Num dos novos pontos ‘volta’, a devolução de embalagens de bebidas torna-se um gesto simples do quotidiano para garantir que os materiais regressam ao ciclo de reciclagem

Neste Dia Mundial do Ambiente, Portugal reforça a sua estratégia de economia circular com a implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), conhecido pela marca ‘volta’, que entrou em funcionamento em abril deste ano, marcando uma mudança estrutural na gestão das embalagens de bebidas de uso único.  

A iniciativa pretende transformar a forma como os consumidores lidam com garrafas e latas de uso único, incentivando a devolução para reciclagem através de um modelo simples: pagar hoje para recuperar amanhã. 

O sistema aplica-se a embalagens de plástico, metal e alumínio até três litros, identificadas com o símbolo ‘volta’. Ao comprar uma bebida abrangida, o consumidor paga um depósito adicional de 10 cêntimos. Esse valor é devolvido quando a embalagem vazia, intacta e com código de barras legível é entregue num dos pontos ‘volta’ espalhados pelo país.   

Segundo o website da campanha, este é um “pequeno passo que abre caminho a uma nova forma de gerir recursos, onde o desperdício ganha valor e os materiais regressam ao ciclo, porque nada se perde, tudo volta”. A devolução pode ser feita através de máquinas automáticas instaladas em supermercados e hipermercados ou em quiosques preparados para maiores quantidades de embalagens.  

Após a entrega, o consumidor pode receber o reembolso em dinheiro, vale de compras, desconto em loja, cartão de fidelização ou, futuramente, através de soluções digitais. Há ainda a possibilidade de doar o valor a instituições como a Liga dos Bombeiros Portugueses, a Cáritas Portuguesa, a Liga para a Proteção da Natureza ou a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal.   

Todos os anos são consumidas em Portugal cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único. Com a implementação do sistema, o objetivo é alcançar uma taxa de recolha de 90% até 2029. Entre os principais impactos esperados estão o aumento da reciclagem, a redução do lixo em espaços públicos e a melhoria da qualidade dos materiais reciclados, permitindo que uma garrafa volte a ser uma garrafa e uma lata volte a ser uma lata.   

A rede nacional conta atualmente com cerca de 2.500 máquinas automáticas distribuídas de norte a sul do país e nas ilhas, além de mais de 8.000 pontos de recolha manual e cerca de 50 quiosques de grande capacidade. 

Na região de Leiria, o sistema está já operacional através de uma rede de máquinas instaladas em várias superfícies comerciais, integradas sobretudo em grandes cadeias de retalho alimentar.  A área inclui municípios como Leiria, Marinha Grande, Batalha, Nazaré e Pombal, onde os consumidores já podem entregar embalagens em pontos ‘volta’ inseridos em supermercados e hipermercados. 

Junho 6, 2026 . 14:00

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