
Centro Português de Dürnau celebra 60 anos entre memórias da emigração e dúvidas sobre o futuro
O Centro Português de Dürnau, na Alemanha, celebra este sábado, 13 de junho, 60 anos de atividade, numa altura em que os seus responsáveis admitem dificuldades em atrair novas gerações para a associação.
A comemoração deverá reunir entre 200 e 250 pessoas, incluindo representantes da comunidade portuguesa e o cônsul de Portugal em Estugarda, num encontro que pretende assinalar seis décadas de uma instituição que acompanhou a história da emigração portuguesa no sul da Alemanha.
"Quando eles vieram todos para aqui, eram tudo rapazes novos e, para estarem juntos, para jogarem cartas, para beber um copo, para falar, fizeram esse centro", recordou Sílvia Oliveira, atual responsável pela associação.
Filha de emigrantes portugueses, Sílvia Oliveira nasceu na Alemanha em 1976. Os pais chegaram ao país no início da década de 1970 para trabalhar numa fábrica de vidro, num movimento migratório que trouxe para a região dezenas de trabalhadores, muitos deles oriundos da Marinha Grande, tradicional centro da indústria vidreira portuguesa.
"O meu pai foi um dos fundadores desse centro", contou à agência Lusa.
Os primeiros encontros decorriam numa cave cedida por uma empresa local. Mais tarde, os emigrantes adquiriram um terreno e construíram uma pequena barraca para se reunirem. Com o crescimento da comunidade, o espaço foi sendo ampliado, ganhou cozinha própria e passou a organizar refeições, festas e atividades desportivas.
Durante anos, o centro funcionou como um dos principais pontos de encontro dos portugueses da região. Chegou a abrir regularmente às sextas-feiras, sábados e domingos.
"No princípio do ano fazia-se uma assembleia geral. Depois faziam grupos de 16 pessoas, sempre quatro pessoas num grupo. Cada semana era um grupo a cozinhar", explicou, acrescentando que era tudo em regime de voluntariado.
Os torneios de sueca e chinquilho, os jogos de futebol e as festas anuais com artistas vindos de Portugal marcaram várias gerações de emigrantes.
"Nós crescemos nessa vida, estávamos sempre no centro. Ao domingo ia-se ao centro, crescemos lá, dormíamos lá nas cadeiras ao fim de semana", lembrou, entre risos.
A evolução da comunidade portuguesa na região acabaria, contudo, por alterar profundamente a realidade da associação.
"Tínhamos aqui muitos portugueses, muitos mesmo, mas eles eram todos vidreiros e quando a empresa dos vidros fechou, muitos voltaram para Portugal", explicou Sílvia Oliveira.
Atualmente, o centro abre apenas aos sábados e conta com cerca de 16 voluntários ativos, responsáveis pela confeção das refeições e pela gestão da associação. Funciona apenas mediante reserva prévia.
Entre os pratos mais procurados estão o bacalhau, as sardinhas assadas, a dourada, o peixe-espada, os choquinhos e as gambas.
Apesar da estabilidade financeira, o principal desafio é hoje a renovação geracional.
"Já somos todos para os 40, 50 anos e é muito cansativo cozinhar para tanta gente […] tenho muita pena, mas não sei como é que a gente pode puxar-lhes (aos mais jovens) o interesse", confessou.
As celebrações dos 60 anos incluem música ao vivo, gastronomia portuguesa, fogo-de-artifício e uma esplanada com bifanas, sardinhas assadas, filetes, pastéis de nata e outras especialidades.
Enquanto prepara a festa, Sílvia Oliveira espera que o aniversário sirva também para recordar o papel que o centro desempenhou na vida de várias gerações de emigrantes portugueses.
"Estão agora a cozinhar e a dar vida ao centro ainda", sublinhou. "Vamos ver como continua".









