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Leiria sabe reerguer-se e agradece solidariedade em jogo luso

Leiria voltou a afirmar-se como grande anfitriã que é e o país voltou a demonstrar a sua so­lidariedade. A cidade do Lis recebeu o último jogo de preparação de Portugal para o Mundial, numa partida solidária para ajudar à recuperação de clubes e associações

Quem viu o estado em que ficou o Dr. Magalhães Pessoa no dia 28 de janeiro, dificilmente acreditaria que esta quarta-feira, no Dia de Portugal, as bancadas iriam encher-se para apoiar a seleção nacional, que está de partida para os Estados Unidos para participar no Mundial de Futebol.

Foram mais de 22 mil pessoas que fizeram a festa dos golos de Pedro Neto e Francisco Conceição, que levaram a seleção à vitória contra a Nigéria, num estádio onde algumas feridas deixadas pela tempestade ainda se revelam a céu aberto, na ausência de cobertura.

O impacto da tempestade afetou diversas zonas da infraestrutura, incluindo a cobertura e o relvado, o que inviabilizou a utilização para a prática desportiva nos últimos meses. Só em meados de abril é que a UD Leiria teve autorização para jogar em casa. Por isso, a expetativa era grande para entrar no campo dos grandes jogos de futebol na cidade do Lis, mas também pelo que representava voltar a acolher milhares de pessoas, ver a cidade em movimento e em festa.

Esta quarta-feira, milhares de adeptos puderam testemunhar um estádio em franca recuperação, com algumas bancadas novas, e a tarja que tapava o Topo Norte do estádio e que voou com o vento foi substituída por uma imagem do castelo, a insígnia da Federação Portuguesa de Futebol e as palavras ‘Reerguer Leiria’.

O jogo foi solidário e permitirá ajudar à recuperação de infraestruturas de clubes.

A festa fez-se dentro e fora do relvado. Não só Portugal venceu dentro das quatro linhas como Leiria voltou a afirmar-se como grande anfitriã que é e o país voltou a demonstrar a sua solidariedade para com um território devastado pela tempestade.

Fátima não escondia o nervosismo para ver tantas estrelas do futebol juntas, ainda para mais no estádio ainda 'ferido' depois da passagem da depressão Kristin há pouco mais de quatro meses.

Porque também ela foi afetada na Praia da Vieira, no concelho da Marinha Grande, agradeceu o apoio de todos os que se deslocaram a Leiria para assistir ao jogo e manifestaram a sua solidariedade.

Para quem visita Leiria, estar numa cidade que foi devastada em janeiro serviu para acalentar um povo que ainda sofre, mas que sabe e quer reerguer-se, como a família de Tomás Araújo, que viajou de Famalicão em peso para apoiar o jogador estreante da seleção das quinas e dizer ‘presente’ a Leiria.

Na geleira com panados e rissóis, levaram sorrisos, palavras de conforto e uma alegria contagiante que deixaram por Leiria para apoiar a comunidade.

Ainda a tarde ia a meio e já se ouviam vuvuzelas nas imediações do estádio e adeptos a cantar e a dançar. O tempo quente convidava a estadias mais prolongadas nas esplanadas e nas sombras proporcionadas pelas árvores do percurso Polis podiam encontrar-se famílias inteiras, que foram a Leiria apoiar a seleção e a cidade.

Com o aproximar da hora e a chegada do autocarro da seleção nacional, centenas de adeptos juntaram-se para dar as boas-vindas aos jogadores e a toda a equipa.

A Praça da Gastronomia, montada junto ao estádio, e que nas últimas semanas tem servido de ponto de encontro da comunidade, foi paragem quase obrigatória para refrescar e confortar o estômago antes da entrada no estádio.

E foi já no estádio que se conta o resto da história de um dia solidário para com as vítimas da tempestade, e de um jogo que deu a vitória a Portugal por 2-1, com golos de Pedro Neto e Francisco Conceição. Akor Adams marcou pela Nigéria.

Para muitos milhares, representou também a possibilidade de assistir a seleção a jogar antes de partir para o Mundial de Futebol, e a derradeira oportunidade de ver o capitão da equipa, Cristiano Ronaldo, que deverá pendurar as chuteiras depois da competição que arrancou ontem nos Estados Unidos.

De lamentar a morte de um adepto de 77 anos, vítima de uma paragem caridorrespiratória, minutos antes do início da partida. Foi transportado para o hospital, onde acabaria por falecer. Roberto Martínez, treinador da seleção lusa, lamentou a morte do adepto no final do jogo e disse aos jornalistas que a equipa vai “tentar ganhar o primeiro jogo do Mundial para a família”.

Junho 12, 2026 . 08:00

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