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Escassez de cromos do Mundial dispara procura em grupos ‘online’

A escassez de cromos do Mundial 2026 no comércio tradicional está a levar colecionadores de Leiria a recorrer a grupos nas redes sociais, onde trocas e vendas têm registado forte adesão

A escassez de cromos da coleção do Mundial 2026 está a levar colecionadores a recorrer a grupos informais nas redes sociais de revenda e troca de cromos. Em Leiria, colecionadores relatam dificuldades na procura de saquetas no comércio tradicional. “É muito difícil, neste momento, não estamos a comprar saquetas porque não as encontramos”, diz Catarina Raimundo, leiriense de 46 anos, que começou a colecionar com o seu filho.

Catarina Raimundo diz que vai encomendando em alguns grupos para tentar colmatar a escassez, mas acaba por encontrar solução no ‘Troca de Cromos – Leiria’, um grupo que já conta com mais de 1.600 membros.

As trocas são impulsionadas naturalmente pelos membros do grupo, incidindo na região de Leiria, mas não se limitando somente à cidade. E depois há os encontros informais, como aqueles que ocorreram no Leiria Shopping ou na Feira Internacional de Artesanato da Batalha.

“Tenho conseguido encontrar sempre boas pessoas que vendem a preços, a tempo próprio há sempre um preço acessível”, adiciona ainda a leiriense, considerando “muito giro”, miúdos e graúdos “a tentar trocar com listas”.

“Dá-me a sensação que há determinados cromos que estão a ser extremamente inflacionados em termos de preço” explica Catarina, citando casos de pessoas que pedem “30 ou 40 euros por um cromo”.

O grupo ‘Troca de Cromos – Leiria’ surgiu no último Mundial, em 2022. João Pedro Gomes explicou ao nosso jornal a necessidade de criar um grupo na zona de Leiria “para haver maior facilidade na troca de cromos” e terminar de completar as cadernetas. “Faltavam sempre uns cromos para terminar, e com a facilidade das novas tecnologias, dos grupos e de uma comunidade, seria mais fácil para fazermos essa troca”, esclareceu.

“Para o Mundial 2026 tem sido um boom enorme”, acrescenta João Pedro Gomes, natural da Batalha. João Pedro Gomes vê o crescimento do grupo com bons olhos. “O número de publicações tem crescido muito ao longo do tempo, o número de membros tem crescido também ao longo do tempo, e como colecionador vejo isto com bons olhos também, vejo bem a adesão da comunidade aqui de Leiria”, afirmou.

O administrador do grupo diz-se surpreso com a forte adesão neste Mundial, “por causa do preço de cada saqueta que neste momento está, a um euro e meio”. “Achei que as pessoas não tivessem uma grande adesão à coleção”, apontou, sem perceber o motivo de tamanho sucesso. “Deve haver aí algo, algo por trás desta coleção que está a tornar isto mágico, faço coleção desde 2010 e nunca vi tanta procura como neste último Mundial”, analisou, lembrando o ano de 2010, quando “ia para os cafés e fazia as trocas de cromos”.

“Senti que esse colecionismo tem vindo a reduzir. Mas este ano, efetivamente, eu vejo muitas crianças novamente a fazer coleção”, avaliou.

Ao nosso jornal, destacou a procura dos ‘extra stickers’, cromos direcionados para colecionadores, que não são para colar na caderneta. Nestes cromos, já se envolvem “grandes valores monetários”. Mas, nos cromos comuns, João Pedro Gomes diz haver “um cromo especial”, o de Cristiano Ronaldo, capitão da seleção portuguesa. “Não é que ele seja raro, mas eu já tenho um Cristiano Ronaldo de lado, porque lá faz parte da história e eu vou guardar esse cromo com um significado extra”, admitiu.

João Pedro Gomes começou a colecionar por causa do seu avô, que também colecionava cromos.  Começou no Mundial de 2010 e desde então não parou, fazendo coleções de todos os Mundiais e campeonatos europeus, e também da liga portuguesa, admitindo ter ficado “com o bichinho”.

Junho 17, 2026 . 11:00

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