
Governo está a investir em todas as medidas preventivas
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse ontem que o Governo está a investir fortemente em medidas para prevenir incêndios de forma a salvaguardar vidas e património.
“(…) Estamos fortemente a investir em todas as medidas preventivas que permitam salvaguardar o bem mais precioso, que é a vida, salvaguardar o património das pessoas, que é pouco, porque esse património e essas vidas são essenciais para a nossa coesão social, para a nossa coesão do território”, afirmou Luís Neves.
No Memorial às Vítimas dos Incêndios de 2017, na zona de Pobrais, Pedrógão Grande, concelho onde há nove anos eclodiram fogos que provocaram dezenas de mortos, Luís Neves reconheceu que “há ainda trabalho para fazer, mas muito está a ser feito”, para salientar que “o ordenamento do território, da floresta, da limpeza, é um fator de sucesso para este combate”.
“Todos temos de aprender com o que correu mal para que no futuro esses erros possam não voltar a suceder”, adiantou o governante, que, no memorial, no Dia Nacional em Memória das Vítimas dos Incêndios Florestais, homenageou as vítimas mortais dos incêndios de 2017, mas também quem ficou ferido e as famílias.
A presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), Dina Duarte, disse discordar dos muitos que dizem que “nada foi feito, que está tudo na mesma, que está pior do que estava antes”.
“Entendemos que só os que vivem no território ou os mais atentos percebem as diferenças na paisagem”, declarou, referindo-se à limpeza junto às estradas, e aos programas Condomínios de Aldeia e ‘Aldeia Segura, Pessoas Seguras’.
Admitindo que “muito falta fazer”, Dina Duarte defendeu que “a gestão da floresta é um imperativo”, notando que “há nove longos anos” se aguarda que “o resultado de inúmeros estudos seja aplicado no território”, como a diversidade na floresta e esta seja “um garante económico desta região”.
À comunicação social, a presidente da AVIPG pediu “colaboração na contenção”.
“Basta de horas ininterruptas de emissões de imagem de fogo, de cidadãos em sofrimento. Haja notícia, mas não o alarme”, preconizou.
Aos governantes, a dirigente da AVIPG pediu para que “a prevenção continue a ser primordial”, assim como “mais apoio para quem combate os incêndios, mais apoio para as autarquias”.
No discurso, no qual dirigiu uma palavra particular ao ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, presente na homenagem, Dina Duarte agradeceu o seu apoio, persistência, insistência e “pela visibilidade que deu a este território”, onde, em 10 de junho de 2024, decorreram as cerimónias do Dia de Portugal.
Já o vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Luís Correia, lembrou que “as calamidades não acontecem só no verão”, ao referir-se à depressão Kristin, em 28 de janeiro, recordando que um dos “maiores impactos” no concelho foi o quartel dos Bombeiros Voluntários.
O quartel “ficou inoperacional”, referiu Luís Correia, acrescentando: “Se nesta altura falamos dos bombeiros, temos de pensar também nas condições que eles têm e, nesse sentido, é urgente apoiá-los e dotá-los de condições de operacionalidade”.
Por seu turno, o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, Jorge Vala, considerou que “alguma coisa se aprendeu com os erros”, exemplificando com “a implementação de um conjunto de projetos que vale a pena assegurar para o futuro”, como as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem e os Condomínios de Aldeia, para neste último caso reiterar que o futuro deste programa não está assegurado.
“Acho que o Governo pode e deve olhar para estes excelentes exemplos e começarmos a trabalhar a uma década, a duas décadas, para aquilo que importa, que é, efetivamente, a prevenção”, acrescentou Jorge Vala.
Os incêndios que deflagraram em 17 junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.
Em outubro do mesmo ano, incêndios na região Centro provocaram 49 mortos e cerca de 70 feridos, registando-se ainda a destruição, total ou parcial, de cerca de 1.500 casas e mais de 500 empresas.
O memorial abriu em 15 de junho de 2023, junto à Estrada Nacional 236-1 (que liga Figueiró dos Vinhos a Castanheira de Pera), com o nome das 115 vítimas mortais dos fogos naquele ano.








