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Livro promove reflexão sobre a integração da comunidade cigana

Apresentação do livro ‘Portugueses ciganos, 5 séculos de resistência’ permitiu criar na Marinha Grande um debate alargado sobre a inclusão, a igualdade de oportunidades e o papel das políticas públicas na transformação social.

‘Portugueses ciganos, 5 séculos de resistência’ é o título do livro da jornalista Ana Cristina Pereira, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que foi apresentado na Marinha Grande, numa sessão que promoveu a reflexão sobre a história, os desafios e as perspetivas de integração da comunidade cigana em Portugal.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara da Marinha Grande, Paulo Vicente, sublinhou a importância do trabalho desenvolvido por todos os que contribuem para uma sociedade mais justa e igualitária, destacando o papel das instituições e dos agentes no terreno na promoção da inclusão social.

Paulo Vicente evidenciou que acontecimentos recentes, como a tempestade que afetou o concelho, criaram também oportunidades para reforçar o trabalho de integração da comunidade cigana. Neste âmbito, destacou o projeto em desenvolvimento no bairro da Lagoinha, como um exemplo de intervenção estruturada, orientada para melhorar as condições de vida, promover a inclusão social e reforçar a coesão comunitária.

A autora da obra, Ana Cristina Pereira, explicou que o livro resulta de um longo trabalho de investigação motivado pelo contacto continuado com situações de discriminação e exclusão social. Referiu que procurou compreender as raízes do anticiganismo em Portugal e evidenciar o seu impacto devastador, destacando a resiliência das comunidades ciganas ao longo de séculos de perseguição.

Sublinhou ainda a importância de promover o conhecimento e o entendimento mútuo, apontando a necessidade de reforçar figuras de mediação, nomeadamente em contextos como a saúde e a educação.

Citada em comunicado, a socióloga Maria Manuela Mendes destacou que este tipo de iniciativas representa uma oportunidade relevante para aprofundar a participação dos cidadãos na produção de conhecimento científico e no processo de transformação social. Referiu a importância de dar visibilidade aos percursos individuais e aos processos de mobilidade social entre gerações, sublinhando que, apesar de alguns progressos, persistem desafios estruturais que exigem maior escala e consistência nas políticas públicas, bem como uma articulação mais eficaz entre diferentes entidades.

Também Renato Bernardino, licenciado em Ciências Sociais, mentor e presidente do Centro de Abertura a Linguagens e Lugares Outrora Negados (CALLON), admitiu que sentiu a necessidade de contribuir para dar visibilidade à história e à realidade da comunidade cigana, sublinhando que se trata da maior minoria transnacional da União Europeia. Evidenciou a relevância de trazer estas questões para o espaço público e de promover soluções concretas, reconhecendo que, após séculos de discriminação, a mudança exige tempo, compromisso e continuidade.

Junho 18, 2026 . 18:30

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