
Missão Escola Pública alerta para circulação de exame de Matemática
A Missão Escola Pública alertou hoje que o exame de Matemática do 9.º ano, realizado em formato digital e sujeito a sigilo, circula na internet desde segunda-feira à noite, dia da prova, e defendeu uma investigação para apurar responsabilidades.
Em declarações à agência Lusa, Cristina Mota, da Missão Escola Pública (MEP), contou que o movimento começou a verificar, na segunda-feira à noite, através das partilhas nos grupos de professores e através das redes sociais, que já estava a circular a prova, indicando que seria a que foi realizada pelos alunos.
“Entretanto, nos grupos, alguns dos professores que estiveram a vigiar confirmaram que, efetivamente, estavam a reconhecer as questões”, sublinhou.
Cristina Mota referiu ainda que, após a divulgação de um enunciado alegadamente recriado, mas que contém, por exemplo, gráficos e imagens que não parecem uma recriação, surgiu então o vídeo que, afirmou, “também mostra, ao que nos parece, a prova e com indicação que se trata efetivamente da prova que tinha tido lugar”.
Para a MEP, “a situação demonstra que o sistema é violável e que a digitalização coloca em causa o rigor e a credibilidade da avaliação externa”.
“Depois do enorme esforço exigido aos professores para implementar este modelo, é inaceitável que os enunciados circulem publicamente poucas horas após a realização da prova”, critica.
Questionada sobre a origem da divulgação, Cristina Mota disse desconhecer como ocorreu o acesso aos conteúdos, mas apontou várias hipóteses, incluindo a possibilidade de captura de imagens pelos próprios alunos ou de acesso remoto à plataforma utilizada nos exames.
“Colocamos essa hipótese, efetivamente, de ter sido acedido remotamente ou ter sido o próprio aluno que fez 'print screen' do ecrã e conseguiu fazer a recolha da prova”, disse, recordando que o movimento já tinha alertado para essa possibilidade no ano passado.
Segundo Cristina Mota, a plataforma utilizada para a realização das provas digitais tem registado fragilidades reportadas pelas equipas que acompanham a execução dos exames.
O movimento defende que, enquanto não estiverem reunidas as condições de viabilidade, de segurança e de transparência, as provas finais de Matemática e Português devem regressar ao formato em papel.
“Se não estiver assegurado um computador da escola para cada um dos alunos e não estiver também assegurada uma plataforma fiável, não se deve proceder à realização destas provas no formato digital”, defendeu.
A Missão Escola Pública pede ainda ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) que promova uma averiguação para determinar a origem da fuga de informação e apurar eventuais responsabilidades.
“É o segundo ano em que acontece a prova estar a ser divulgada nas redes sociais, não escondendo os autores as partilhas que estão a fazer. Portanto, o Ministério deve iniciar uma averiguação para se ter a fonte desta prova, como é que esta prova chegou às pessoas que a estão a divulgar”, defendeu.
Alertou ainda que está em causa “o trabalho de milhares de professores”, a exigência e o rigor da avaliação externa e “o trabalho de um ano letivo de muitos professores, de muitas direções escolares”.
Para o movimento, “mais preocupante” ainda é o facto de um dos jovens que está a divulgar os materiais apresentar-se como professor de Matemática.
"Um professor deverá ser um exemplo de ética", afirmou a responsável, acrescentando que um docente não deve contribuir para a violação do sigilo de uma prova sujeita a confidencialidade.
Questionada sobre o impacto da divulgação após a realização do exame, Cristina Mota considerou que a situação continua a ser grave, uma vez que algumas escolas realizam a prova em mais do que um turno.
"Há alunos a saírem passada hora e meia da realização da prova, com conhecimento da prova, e poderão contactar com outros alunos que só a vão realizar mais tarde", alertou.
A agência Lusa contactou o MECI cerca das 10:00 de hoje, mas ainda não obteve resposta.








