
Iniciativa Liberal defende central de valorização energética de resíduos para a região Centro
A Iniciativa Liberal (IL) defendeu a construção urgente de uma unidade de valorização energética de resíduos na região Centro, considerando que Portugal enfrenta uma “crise estrutural” na gestão de resíduos urbanos e que a dependência dos aterros continua a comprometer o cumprimento das metas ambientais europeias.
A posição é assumida num comunicado conjunto dos núcleos territoriais da IL abrangidos pelos sistemas de gestão de resíduos da ERSUC, Planalto Beirão, Resiestrela e Valorlis, que integram municípios dos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.
Segundo os liberais, na região Centro foram depositadas em aterro mais de 566 mil toneladas de resíduos durante o ano de 2024, um número que, na sua perspetiva, evidencia a dimensão do desafio.
No comunicado, a IL defende uma estratégia alinhada com a hierarquia europeia de gestão de resíduos, que privilegia a prevenção, a reutilização e a reciclagem. Contudo, sustenta que “a valorização energética deve ser utilizada para o tratamento dos resíduos que não podem ser reciclados”.
Os liberais recordam que esta tecnologia já está implementada com sucesso em Portugal, propondo a construção de uma unidade de valorização energética com capacidade para tratar até 400 mil toneladas de resíduos por ano. Segundo a IL, esta solução permitiria “diminuir a pressão” sobre os aterros existentes, contribuir para o “cumprimento das metas ambientais europeias” e assegurar uma maior estabilidade dos custos associados à gestão de resíduos para municípios e contribuintes.
Críticas à situação do aterro da Valorlis em Leiria
No caso de Leiria, a Iniciativa Liberal considera que o concelho tem suportado, ao longo dos anos, uma parte significativa dos impactos associados ao aterro sanitário da Valorlis, localizado na Quinta do Banco.
O partido refere que as populações das uniões de freguesias de Parceiros e Azoia e de Marrazes e Barosa, bem como da freguesia da Maceira, continuam a ser afetadas por odores intensos provenientes da infraestrutura, situação que, segundo a IL, “condiciona a qualidade de vida dos residentes”.
No comunicado, são ainda apontadas preocupações relacionadas com a presença de pragas, a desvalorização de terrenos nas zonas envolventes, o aumento do tráfego de veículos pesados e o consequente desgaste da rede viária local.
A Iniciativa Liberal menciona também os riscos ambientais associados à gestão dos resíduos, recordando o recente problema relacionado com o encaminhamento de lixiviados para tratamento na ETAR Norte, situação que teve impactos na Ribeira do Picheleiro.
Para o partido, os sucessivos alargamentos do aterro demonstram que Leiria tem contribuído “de forma excessiva” para a resolução do problema regional dos resíduos, defendendo agora a substituição de soluções que considera ultrapassadas por tecnologias mais modernas e ambientalmente sustentáveis.
A IL conclui que a criação de uma central de valorização energética representa uma resposta mais equilibrada para a gestão dos resíduos urbanos, ao mesmo tempo que reduz os impactos sentidos pelas populações que vivem na proximidade dos atuais aterros sanitários.







