
Ministro não antevê grande impacto na agricultura se onda for passageira
O ministro da Agricultura disse hoje que a onda de calor que está a atingir Portugal não deverá ter um grande impacto na agricultura, caso seja passageira, e falou na necessidade de um sistema europeu de resseguros.
O impacto em “todas as culturas vai depender da duração e isto demonstra também o risco da atividade agrícola”, afirmou o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, em declarações à Lusa, à margem do Congresso Mundial do Azeite, que decorre em Lisboa, até sexta-feira.
Em particular no que diz respeito ao setor do azeite, o titular da pasta da Agricultura referiu que a azeitona já está formada e que, por isso, não se espera um grande impacto.
Conforme explicou, o calor extremo seria problemático para o olival se tivesse ocorrido em maio ou antes.
“Neste momento, não tem impacto, a não ser que [a onda de calor] se mantenha por muito tempo”, ressalvou.
José Manuel Fernandes falou também na necessidade de a União Europeia ter um sistema de resseguros para atuar em casos de eventos extremos, como tempestades ou calor extremo.
Por outro lado, defendeu a importância de melhorar o mercado nacional de seguros, de modo a responder a estas questões, vincando que “as alterações climáticas estão aí”.
O Governo declarou hoje situação de alerta devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, tendo emitido despachos de exceção para proibir a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.
O anúncio foi feito pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, após uma reunião com a equipa que integra o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), situado nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde alertou ainda para o “agravamento muito significativo das condições atmosféricas”.
Portugal recebe, entre hoje e sexta-feira, o ‘Olive Oil World Congress’ (OOWC), o maior evento dedicado ao setor do azeite, que vai reunir investigadores, produtores e empresas de vários países.
O evento, organizado pela Agrifood Comunicación, terá lugar no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, depois de uma primeira edição realizada em Madrid, em 2024.
O programa inclui o debate de temas como o futuro do setor, incluindo a adaptação às alterações climáticas, a digitalização e a aplicação da inteligência artificial.
Segundo dados avançados pelo Governo, para a campanha de 2025/2026 estima-se uma produção de cerca de 179.000 toneladas, um valor semelhante ao ano anterior.






