Indústria, conhecimento e Inovação
Profissionalmente dediquei a minha vida ao sector industrial e continuo a defender a indústria como o sector da economia que melhor pode contribuir para o desenvolvimento económico do País. Nos meus escritos tenho tentado explicar com frequência que a característica industrial das operações de produção serem executadas de forma repetida, vocaciona o sector para a formação e o desenvolvimento profissional os trabalhadores, até aí não qualificados, que são em número muito elevado em Portugal. Foi isso que aconteceu comigo e com milhões de outros portugueses ao longo dos anos. O que é particularmente importante para um País dominado negativamente pelo excesso de pequenas empresas comerciais, empresas baseadas apenas no factor mão de obra, sem máquinas e sem tecnologia, com baixa produtividade e que não contribuem para as exportações. Razão principal para a economia do País ter um crescimento anémico e baixas exportações, apesar da abundância de fundos europeus.
Como empresário, tive a oportunidade de defender a inovação como o processo que melhor pode contribuir, através da palavra e de acções concretas, para o desenvolvimento industrial e para as exportações. Por exemplo, na empresa que fundei, a Iberomoldes, desenvolvemos empresas especializadas no sector dos moldes para plásticos, que foi uma evolução da inovação inicial do senhor Aníbal Abrantes que na Marinha Grande criou um sector industrial a partir do artesanato então existente em todo o mundo, razão da empresa Aníbal H. Abrantes ter sido a maior do mundo com 350 trabalhadores. Depois disso, a Iberomoldes avançou para além disso e criou empresas especializadas no fabrico de estruturas, de electroerosão, de projecto e de polimento dos moldes. Além de termos introduzido em Portugal a computação gráfica computorizada (CAD), aquando do nascimento inicial desta importante tecnologia que revolucionou o processo industrial.
Na Iberomoldes desenvolvi a ideia da produção simultânea, que esteve na origem da criação da SET-Simultaneous Engineering Technology, a primeira empresa existente em Portugal dedicada ao desenvolvimento de produtos inovadores, ao fabrico de protótipos e ao ensaio e validação dos produtos, o que deu origem a um novo sector de serviços na indústria portuguesa. Acrescentarei que quando pela primeira vez foi apresentada em Los Angeles a primeira máquina de stereolitografia do mundo, apresentamos através da Iberomoldes um projecto ao PEDIP, para a compra de quatro dessas máquinas que foram colocadas no Instituto Superior Técnico, na Universidade de Engenharia do Porto, no CENTINFE da Marinha Grande e no LNEC em Lisboa, com a ideia de Portugal poder ser líder no desenvolvimento daquela tecnologia então nascente. Infelizmente, apenas o CENTINFE acarinhou a ideia que teve continuidade, o que demonstra bem o modelo burocrático que, para nosso mal, existe nas universidades portuguesas.
O mesmo modelo burocrático, matou a comunicação que apresentei em Coimbra no Instituto Pedro Nunes, que explicava o conceito inovador da “Inovação de Estado”, que infelizmente não mereceu qualquer interesse, apesar de ser um conceito bem demonstrado na realidade nacional e internacional. Tratou-se de teorizar que existem muitas inovações industriais possíveis, além de desejáveis, que transcendem o poder das empresas e que apenas o Estado tem o poder de organizar. Chamei a isso as três fases da Inovação, a fase Da Vinci, a fase Edison e a fase contemporânea que reúne as três condições necessárias: a fase da ideia inovadora; a fase da existência da tecnologia necessária e a fase da concretização através das empresas, em certos casos do Estado.
Voltarei a este tema em próximos artigos. Decidi fazê-lo agora por ter verificado através da inteligência artificial (IA) que estão descritas estas minhas actividades que, verdadeiramente, hoje ninguém conhece. Também, porque talvez alguém possa dar alguma continuidade a alguma das ideias desenvolvidas.





