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Milagres assinala centenário da Colónia Agrícola

As comemorações, que se vão realizar amanhã, no Parque de Merendas do Ravasco, incluem missa, homenagem aos colonos e uma recriação da história da colónia

O centenário da Colónia Agrícola dos Milagres, no concelho de Leiria, é assinalado amanhã com um programa que inclui teatro, uma exposição e espaço de partilha de memórias.

As comemorações, no Parque de Merendas do Ravasco, começam às 10h00, com a sessão solene, seguindo-se o desfile da Filarmónica Bidoeirense pela Rua da Colónia.

Pelas 11h30, há missa e homenagem aos colonos, e depois do almoço decorre uma recriação da história da colónia, com teatro, exposição fotográfica e documental, e espaço de partilha das memórias da comunidade.

Numa publicação na rede social Facebook, a Junta de Milagres afirmou que “celebrar os 100 anos da Colónia Agrícola é homenagear todos aqueles que fizeram parte deste percurso e reconhecer o legado que continua presente na vida” da freguesia.

“Não é todos os dias que se celebram 100 anos de uma colonização, neste caso da colónia agrícola, primeira colónia em Portugal”, declarou à agência Lusa a presidente da Junta, Vânia Sousa, destacando a recriação histórica, com o testemunho de uma ex-colona.

A presidente da Junta lembrou ainda que a freguesia cresceu com o contributo dos colonos.

“As pessoas vieram para aqui trabalhar, fizeram com que houvesse um crescimento”, destacou Vânia Sousa.

Sobre as sementes para o futuro que gostaria que esta data simbólica deixasse, a autarca desejou que “as pessoas, cada vez mais, valorizem” as suas origens.

De acordo com a investigadora Sara Mónico, a Colónia Agrícola dos Milagres ocupava 220 hectares, integrados nos 1.134 hectares do baldio da freguesia dos Milagres, e estava organizada em três núcleos: Alcaidaria e Mata, Triste Feia e Bidoeira.

“Inicialmente foram construídos 16 casais agrícolas, tendo a reorganização de 1939 levado à extinção do núcleo da Triste Feia e à construção de mais 13 casais, passando a colónia a contar com 25 casais agrícolas”, explicou a docente doutorada em Antropologia.

 

Colónia pretendia fixar população no meio rural
Além das habitações e respetivos anexos, a colónia “dispunha de equipamentos coletivos como moagem, campo de demonstração agrícola e posto médico”.

“O número de habitantes variou ao longo do tempo. Há registo de 39 pessoas em 1930, 59 em 1940 e 84 na década de 1960, valor que diminui para quase metade (47) na década seguinte”, esclareceu.

Segundo Sara Mónico, docente na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em processo de transformação para Universidade de Leiria e Oeste, “o objetivo era o de aumentar a área agrícola, fixar população no meio rural e converter trabalhadores agrícolas em pequenos proprietários”, não se tratando de “uma obra com data de término”.

“Cada família de colonos tinha atribuída uma casa de habitação e uma parcela de terreno suficiente para garantir o sustento da família, ficavam obrigados ao pagamento de uma renda ao Estado e da entrega mensal de uma parte da sua exploração agrícola”, como legumes, cereais ou madeira, esclareceu.

A investigadora precisou que “durante um período inicial de cinco anos detinham um título de fruição provisória, no qual tinham de demonstrar as suas qualidades de trabalho e de zelo pela casa atribuída”, sendo que, “após pagamento do valor definido pelo casal agrícola, no início do contrato, a propriedade passava a definitiva”.

“Os colonos que foram ficando conseguiram cumprir com o contrato e comprar a sua propriedade”, adiantou, observando que persistem “algumas casas de (ex)colonos e respetivos terrenos, que, entretanto, já passaram para filhos e netos”.

À pergunta sobre o que foi feito dos terrenos, disse que “o baldio que foi dividido e entregue aos colonos foi posteriormente adquirido pelos que ficaram e que conseguiram pagar”.

“Os documentos mostram que nem todo o baldio foi ocupado, provavelmente, essa parte não colonizada, manteve-se ou mantém-se nas mãos do Estado”, indicou.
Sara Mónico acrescentou que se pode questionar as razões que levaram à escolha de um baldio na freguesia de Milagres para a concretização desta iniciativa, dado não ser “um local conhecido ou central”.

“A resposta estava num dos relatórios da Junta de Colonização Interna, em que o principal engenheiro responsável pela obra, Mário Pais da Cunha Fortes, referia que, na altura, 1926, o Ministério da Agricultura não tinha terreno melhor”, relatou, explicando que a sua concretização nesta freguesia se deveu muito à ação do padre José Ferreira Lacerda, que foi pároco de Milagres várias décadas.

Julho 17, 2026 . 09:00

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