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Alvaiázere com “situação insustentável” em matéria de comunicações

“Exigimos que haja uma resposta mais robusta por parte dos operadores e da entidade reguladora [Anacom]”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere.

O presidente da Câmara de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, disse à agência Lusa que o concelho está “numa situação insustentável” em matéria de comunicações, quase seis meses após a depressão Kristin ter atingido gravemente o território. “Já passaram seis meses, já seria tempo mais do que suficiente para estarmos noutro patamar da resolução do problema (…) Estamos numa situação insustentável e constrangedora. Não podemos encher a boca com palavras que levam a crer que se pretende que exista coesão, quando estes territórios, em que a densidade [populacional] é menor, não são tratados de forma adequada e com a discriminação positiva que também deveriam ter estes casos”, afirmou João Paulo Guerreiro.
O autarca adiantou ter noção de que “as infraestruturas foram bastante afetadas”, mas são necessárias respostas para os munícipes. “Estamos numa situação má, inadequada para aquilo que são os dias de hoje e exigimos que haja uma resposta mais robusta por parte dos operadores e da entidade reguladora [Anacom]”, declarou.
João Paulo Guerreiro assegurou que o concelho tem “várias centenas de munícipes” sem comunicações fixas, o mesmo sucedendo com empresas, que têm “a sua vida afetada por falta de ligação, uma ligação estável e com a qualidade necessária para exercerem a sua atividade económica ou para usufruir daquilo que são os serviços essenciais hoje em dia”.
O presidente da Junta de Pussos São Pedro, no concelho de Alvaiázere, relatou à Lusa que há seis meses que não tem telefone fixo, nem televisão nem Internet em casa, em Maçãs de Dona Maria, e que a sua empresa só recuperou Internet há três meses e, depois, tornou a ficar sem rede por duas semanas.
Em Pussos São Pedro, Paulo Sá Oliveira explicou que no lugar de Outeiro da Cotovia, com cerca de 15 a 20 casas, está “sem nada” de comunicações fixas, problema geral no norte desta freguesia.
“Há desertificação porquê? É assim que resolvem o problema?”, questionou Paulo Sá Oliveira ao referir-se à saída de pessoas que estavam em teletrabalho na freguesia para outros concelhos com comunicações restabelecidas.
O presidente da junta alertou ainda para uma “situação grave”, cabos de telecomunicações caídos em fazendas nas quais a vegetação, entretanto, cresceu. “Os tratoristas recusam-se a fazer limpeza dos terrenos porque os cabos embrulham-se nas máquinas e provocam danos”, referiu, descrevendo haver “cabos e cabos e cabos pelo chão”.
No final de junho, a Assembleia Municipal de Alvaiázere aprovou, por unanimidade, uma moção, apresentada pelo PSD, a pedir à Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) “um acompanhamento específico das situações verificadas no concelho”, assim como o apuramento de responsabilidades e a promoção, com a maior celeridade possível, de medidas corretivas adequadas, adiantou o autarca.
“Que a Anacom faça aquilo que é a sua função, que é exigir às operadoras a apresentação de um calendário concreto para a resolução das situações pendentes no concelho”, identificando as intervenções, prazos e localidades abrangidas, explicou João Paulo Guerreiro.
Também em junho, a Assembleia Municipal de Ansião, aprovou uma moção, apresentada pelos sociais-democratas, “pela reposição integral e reforço das infraestruturas de telecomunicações” no concelho.
Sob proposta do PS, a Assembleia Municipal da Marinha Grande, aprovou uma moção a exigir a reposição urgente dos serviços de telecomunicações e a remoção das infraestruturas danificadas na sequência da depressão Kristin.

Julho 22, 2026 . 11:00

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