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Recordando o significado do Mosteiro da Batalha

Abril 4, 2025 . 13:30
Opinião: "Os restos mortais de dois soldados portugueses, um trasladado da Flandres (Frente Ocidental da Guerra) e outro de Moçambique (onde morreram mais portugueses na I Grande Guerra), foram sepultados no Mosteiro da Batalha a 9 de Abril de 1921, data simbólica que assinalava o 3.º aniversário da Batalha de La Lys (1918)".

Em 4 de Abril de 1388, há 637 anos, no início do seu reinado, o insigne Rei D. João I, já consolidado após a agitada crise dinástica de 1383–1385, fez uma doação que ecoaria através dos séculos, imortalizando o espírito de um tempo de renovação e de fé. Tendo o monarca superado com bravura os desafios impostos pelas adversidades do seu tempo, a sua decisão de destinar aos dominicanos o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, erguido a partir de 1386 para festejar a gloriosa vitória de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385) sobre os castelhanos, revelava não só o seu compromisso com a fé cristã, mas também com a construção de um grande Mosteiro que pretendia significar um legado de paz e, sobretudo, de unidade do Reino.
Este Mosteiro foi concebido para simbolizar a vitória que selou, de modo inequívoco, o destino de um reino renascido e independente. Ao presentear os dominicanos com tão nobre edificação, o rei procurava fomentar a espiritualidade e a moralidade, pilares que sustentariam o novo tempo que se anunciava.
Com o passar dos séculos, este monumento, situado no distrito de Leiria, foi imbuído de um valor que transcende as fronteiras do tempo e do espaço. Tornou-se, por excelência, um panteão nacional, lugar de memória e de homenagem para vários membros da Dinastia de Avis, nomeadamente os seus iniciadores, D. João I e sua Esposa, D. Filipa de Lencastre, bem como os túmulos dos Infantes da Ínclita Geração, D. Henrique, o Navegador; D. Pedro, Duque de Coimbra; D. João, Condestável de Portugal; D. Fernando, o Infante Santo que morreu em Fez após a falhada expedição a Tânger. Aí se encontram também os túmulos de D. Duarte, 2.º rei da 2.ª dinastia e de sua Esposa, D. Leonor de Aragão. Há ainda os túmulos de D. Afonso V e de D. João II que, apesar de ter morrido em Alvor (Portimão), foi também sepultado no Mosteiro da Batalha.
No que respeita à arte construtiva, o Mosteiro da Batalha combina diferentes influências arquitectónicas, desde o gótico flamejante ao manuelino, com pormenores que reflectem a transição entre o final da Idade Média e o início do Renascimento.
As chamadas Capelas Imperfeitas, que eu prefiro denominar como “Capelas Incompletas” são um dos exemplos mais impressionantes da arquitectura manuelina. Embora inacabadas, evidenciam uma profusão de elementos decorativos, como rendilhados de pedra, motivos naturalistas e exuberantes arcadas que demonstram a mestria dos seus artistas.
A perfeição artística do Mosteiro reside na sua harmoniosa fusão de estilos arquitectónicos, na riqueza dos seus pormenores escultóricos e na imponência da sua estrutura. A atenção meticulosa ao detalhe, a fluidez das formas e a simbologia impregnada em cada pedra fazem deste monumento um expoente máximo da arte portuguesa. É um testemunho da genialidade dos mestres pedreiros e escultores que o construíram e um símbolo eterno do triunfo de Portugal na Batalha de Aljubarrota.
Além dos túmulos reais, que tratámos acima, o Mosteiro da Batalha alberga também o túmulo do “Soldado Desconhecido”, que pretende homenagear os soldados portugueses caídos na Primeira Guerra Mundial.
Os restos mortais de dois soldados portugueses, um trasladado da Flandres (Frente Ocidental da Guerra) e outro de Moçambique (onde morreram mais portugueses na I Grande Guerra), foram sepultados no Mosteiro da Batalha a 9 de Abril de 1921, data simbólica que assinalava o 3.º aniversário da Batalha de La Lys (1918), onde muitos militares portugueses perderam a vida e muitos mais foram feitos prisioneiros dos alemães. O túmulo do “Soldado Desconhecido” está, sob guarda de honra militar e tem próximo a “chama eterna”, símbolo do respeito e da memória dos combatentes que tombaram em defesa da Pátria.

Abril 4, 2025 . 13:30

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