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Região volta a defender revisão da Carta de Perigosidade

O vice-presidente da CIMRL, Jorge Vala, insistiu na revisão da Carta de Perigosidade, adiantando que a mesma é “bastante prejudicial para a Região de Leiria”. O autarca criticou ainda o modelo de avaliação das freguesias de risco de incêndio.

O vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), Jorge Vala, voltou a pedir ao Governo a revisão da Carta de Perigosidade de Incêndio Rural.
Numa reunião de trabalho, realizada ontem, em Porto de Mós, com a presença do secretário de Estado das Florestas, o autarca considerou que a Carta de Perigosidade é “bastante prejudicial para a região de Leiria” e alertou para a recente publicação em Diário da República de um despacho relativo às faixas de gestão de combustível que integram as redes primárias e secundárias e que, segundo Jorge Vala, “incide na carta de perigosidade que eventualmente está suspensa”.
À margem de uma visita feita pela comitiva a Alqueidão da Serra, Jorge Vala afirmou ao nosso jornal não fazer “qualquer tipo de sentido condicionar territórios da coesão, como é o caso dos concelhos a norte do distrito”, que por sua vez, “são altamente afetados por esta carta de risco”, afastando “qualquer tipo de investimento”, explicou.
Jorge Vala sublinhou ainda a necessidade de se olhar para os critérios definidos pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e “deixar intransigências que têm existido”. “Temos pedido que o ICNF fale com os autarcas”, pois “conhecem melhor o território”.
Ainda na reunião de trabalho, o também presidente do município de Porto de Mós criticou o modelo de avaliação das freguesias de risco de incêndio, uma vez que, na sua perspetiva, “não se coadunam com aquilo que existe no território”. “É um modelo que aponta para haver incêndios. Eu dou o exemplo de Porto de Mós: as maiores manchas florestais que nós temos estão fora de perigosidade. Acontece em quatro freguesias - Porto de Mós, Pedreiras, Juncal e Calvaria – onde existem as maiores manchas florestais e como não temos incêndios há 20 anos, estão fora de risco”, salientou.
A mesma preocupação foi partilhada por Aurélio Ferreira, presidente do município da Marinha Grande, que começou por adiantar que o concelho passou de 18% de território classificado com perigosidade Alto e Muito Alto para 55%, apelando igualmente a uma revisão e análise do documento. “Nós queremos crescer em termos de zonas industriais. Esta não é propriamente uma percentagem tão alta como à dos municípios do norte [do distrito], mas isto tem que ser analisado e revisto”, defendeu.
Na sua intervenção, Aurélio Ferreira lamentou o facto do concelho ser “órfão” de floresta, uma vez que já arderam mais de nove mil hectares de mata no território. O autarca demonstrou a sua preocupação com o Pinhal do Rei, que se encontra atualmente numa fase de reflorestação. “A questão da reflorestação tem sido uma contestação, pela forma, a velocidade daquilo que se tem feito sobretudo ao nível do ICNF. Reuni há pouco tempo com a comissão que foi nomeada após os incêndios para fazer uma análise e há ali melhoramentos que temos de fazer. Naturalmente isto tudo se faz com dinheiro”, realçou.
Lembrou ainda que a venda da madeira ardida na sequência do incêndio que destruiu 86% do Pinhal de Leiria, resultou em 17 milhões de euros para o estado. “Faz sentido que alguma dessa parte continue a ser reinvestida e essa é o nosso calcanhar de aquiles. Ali não é apenas a reflorestação, mas também o combate às invasoras”, acrescentou.
Aurélio Ferreira aproveitou para pedir financiamento ao Governo para o avanço do do Museu da Floresta, que tem plano estratégico já executado.
Por seu turno, o primeiro secretário da CIMRL, Paulo Batista Santos, também mostrou disponibilidade para ajudar na reformulação da Carta de Perigosidade, admitindo tratar-se de um documento bastante limitativo.

Governante defende “estratégia para a floresta”
O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, afirmou taxativamente que o país tem que ter, “de uma vez por todas”, uma estratégia para a floresta. “Se os nossos territórios não tiverem a dimensão da economia, da valorização do rendimento, da produtividade, da floresta, do território, nunca vamos conseguir que os proprietários e as organizações olhem para a floresta como um fator de desenvolvimento”, salientou, dando conta que a floresta é “ativo que representa 69% do país”.
Rui Ladeira lembrou que há projetos que estão em curso, como a AIGP [Área Integrada de Gestão da Paisagem]. “Até junho de 2026, as 62 AIGP têm oportunidade de renovar a paisagem e aplicar os recursos únicos, porque este Governo decidiu apostar 331 milhões de euros nos próximos 20 anos onde existir transformação da paisagem”, esclareceu.
Sobre o Pinhal do Rei, Rui Ladeira adiantou que foi feito um investimento significativo, admitindo que “num passado recente nem tudo terá corrido muito bem”. “Há um problema de regeneração natural que tem de ser potenciada”, reconheceu.
Quanto ao Museu da Floresta, Rui Ladeira não quis comprometer-se.

Abril 11, 2025 . 09:00

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