O que um ranking não mede
Na passada semana foram publicados, pelo 25° ano, o 'ranking das escolas', tomando por referência os resultados em exames nacionais. Trata-se de uma compilação de dados que, não obstante a introdução de variáveis contextuais (que incluem a taxa de alunos que beneficiam de ação social escolar, o número médio de anos de escolaridade dos pais ou a idade média dos alunos), permitindo a estruturação de um ‘ranking de superação’, não poderá representar mais do que aquilo que efetivamente representa - e que é o resultado do desempenho dos alunos (e das suas circunstâncias), num momento único de avaliação. Como tal, não só não poderemos comparar realidades e contextos incomparáveis, como deveremos entender que o trabalho desenvolvido nas Escolas é muito mais consistente e estável que o sobe e desce frequente nos posicionamentos neste ranking, de um ano para o outro.
Num artigo de opinião de 2022, no Jornal Público, Elvira Tristão sintetizava parte do meu sentir em relação a esta lista ordenada: "É pernicioso e redutor usar os rankings para uma certa construção social da excelência e do mérito. Esse exercício conduz a uma certa naturalização da iniquidade (...)". De resto, quem conhece a vida das Escolas e os meandros dos ciclos de avaliação externa, sabe que a avaliação da qualidade do serviço educativo vai muito além deste reposicionamento anual.
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