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Perigoso é não votar

Maio 11, 2025 . 12:00
Opinião: “Da nossa escolha sairão os protagonistas da transformação que necessitamos. Face aos perigos, essa escolha tem de ser lúcida e racional, sem zangas, emoções ou análises superficiais. Não é se gosto do fulano tal. É se, e muito importante, dentro dos candidatos existentes, qual é o melhor nas propostas, com provas dadas, para me defender dos perigos que subsistem e se agravam diariamente”.

Claro que o mundo está mais perigoso. Cada vez mais perigoso, mas não tão perigoso como os exagerados do costume nos querem fazer querer, e a comunicação social amplifica. Alguém dizer que está tudo bem ou vai ficar tudo bem, não tem amplitude mediática. Ir assustar pessoas, sem fundamento, que o mundo vai acabar assado, vem aí uma guerra nuclear, ou mais prosaicamente, correr o boato do apagão ser um ataque e irá durar dias ou semanas, tem sempre eco.
Há sempre quem ganhe legitimamente dinheiro com estes ataques de pânico, de base boato e crendice no fim dos tempos. Na bolsa quando cai e compram aos assustados, com grandes lucros na revenda da recuperação, ou o senhor da mercearia que armazena grandes quantidades de papel higiénico e enlatados para os vender todos, a bom preço, aos maluquinhos do costume.
Passe os exageros, isto anda mesmo perigoso. O Presidente Trump a tentar arrumar o tema dos défices americanos, semeando estupefação e destruição reputacional e económica por todo o lado, a invasão da Ucrânia que vai moendo sempre na ameaça de escalar, mas na certeza do imenso dinheiro para a sua reconstrução a sair dos nossos bolsos europeus, Taiwan, Gaza, India e Paquistão e as debilidades económicas europeias, de estagnação e burocracia, que exigem leitura atenta e consequente do relatório Draghi e as reformas exigentes e necessárias.
Como nos podemos prevenir e acautelar sem termos de necessariamente nos irmos abastecer de papel higiénico? Como podemos garantir que Portugal consegue passar pelos temas mundiais, geopolíticos e económicos, com o menor dano possível? E, sobretudo, como Portugal comece finalmente a funcionar normalmente nos temas das reformas necessárias, na imigração, na execução dos planos adiados na ferrovia, na sua concorrência, na desburocratização, na energia, na saúde, na formação, e no desenvolvimento económico para deixarmos de ser um país pobre sempre de mão estendida?
Há realmente muito trabalho a fazer em Portugal, para nos protegermos duma crise política internacional ou da próxima crise económica, que invariavelmente virá. Podemos ser um país muito melhor, não desperdiçando o nosso talento e as receitas turísticas de quem nos visita. Como podemos fazer com que isso aconteça? Votando, e votando bem.
Da nossa escolha sairão os protagonistas da transformação que necessitamos. Face aos perigos, essa escolha tem de ser lúcida e racional, sem zangas, emoções ou análises superficiais. Não é se gosto do fulano tal. É se, e muito importante, dentro dos candidatos existentes, qual é o melhor nas propostas, com provas dadas, para me defender dos perigos que subsistem e se agravam diariamente.
Sim, o mundo está perigoso, mas perigoso é não votarmos desapaixonadamente naquele que, de entre todos, concordamos racionalmente que o país precisa. A escolha é sua. Exerça-a, sem emoções e com segurança, para se proteger e nos protegermos do que aí possa vir. É demasiado importante para o não fazer.

Maio 11, 2025 . 12:00

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