
“Vamos tocar como se estivessemos na casa da Reixida a ensaiar”
Diário de Leiria - Como foi voltar a pegar nos instrumentos para começar a ensaiar a partir de janeiro deste ano?
Tozé Pedrosa - Para mim foi um prazer voltar a pegar nos instrumentos. Era algo que estava relativamente parado, pelo menos não havia muito frequência de tocar bateria e tem sido um prazer enorme voltar a tocar sozinho e agora acompanhado com a banda. Temos estado a viver momentos muito importantes, de grande convivência e voltar a tocar bateria é uma realização. Já não o fazia há algum tempo.
Rui Costa - Eu estive seis anos totalmente afastado da música, sem fazer concertos. Tive uma longa travessia no deserto por opção – tive uma tragédia pessoal – e decidi não continuar na música, mas em casa ia sempre tocando, nunca deixei de tocar, normalmente guitarra acústica. Às vezes entrava no trabalho às 08h00 e levantava-me às 06h00 para poder tocar e por vezes ia trabalhar sem comer. No último ano tive vários desafios: o João Gil convidou-me para gravar um álbum e andei a tocar ao vivo com ele. E isso fez-me pensar que o caminho é mesmo regressar à música. Depois aconteceram outras situações curiosas. Conheci a Cátia [Mazari Oliveira], da Garota Não, e comecei a tocar com ela e então começou-me a surgir outra vez um certo bichinho na ponta dos dedos e em toda a alma. Houve outra coisa que também me marcou que foi a morte da Sara Tavares. Eu trabalhei com ela e com o João Gil e eu pensei: ‘O que é que a Sara me diria por ter desistido da música?’ Então tomei a decisão de voltar para a música, nem que seja voltar a dar aulas. Depois tivemos este nosso encontro e chegámos à conclusão que sentíamos algumas saudades de tocar. Aquilo que está a acontecer agora é de forma muito natural. Estamos a tocar e temos a sensação como se nunca tivéssemos parado. As coisas fluem naturalmente. Não precisamos de conversar muito sobre os arranjos. É mesmo tocar, é sentir.
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