O cinquentenário de um crime económico: as nacionalizações
Há 50 anos, neste mês de Julho, estava a findar o processo das nacionalizações, impostas pelo poder revolucionário-comunista da altura, justificadas como “necessidade de pôr fim ao capitalismo, à especulação e aos monopólios, e uma exigência para realizar uma política ao serviço das classes trabalhadoras”. Uma decisão ditatorial e totalitária à revelia a vontade do povo que, poucos meses depois, nas eleições de Abril de 1976, deu mais que 75% dos seus votos aos partidos que defendiam a economia de mercado, e apenas 16% ao conjunto das forças comunistas que determinaram as nacionalizações.
Iniciadas em Março de 1975 com a Banca e Seguros, as nacionalizações alargaram-se nos meses seguintes, abrangendo sectores inteiros, eletricidade, petróleos, transportes, siderurgia, tabacos, cervejas, pasta de papel, empresas das indústrias transformadora, química, naval e cereais e, um pouco mais tarde, a comunicação social, abrangendo todos os jornais. Directa ou indirectamente, foram nacionalizadas cerca de 1300 empresas, aí se incluindo hotéis, restaurantes e outros pequenos negócios, tudo “conquistas irreversíveis da revolução”.
Afastadas as administrações, presos ou saneados administradores e quadros superiores, e entregues a gestores de confiança política, muitos sem qualquer curriculum e, para mais, controlados pelos sindicatos e comissões de trabalhadores, as empresas ficaram sem gestão eficaz e privadas dos necessários impulsos de capital necessários ao desenvolvimento da sua actividade. Desmantelados foram os grupos económicos existentes, que agrupavam as empresas que mais promoviam o desenvolvimento dos milhares de outras que se inseriam no seu processo produtivo. A CUF era à época o maior grupo ibérico; agora, a maior empresa portuguesa não chega à terça parte da nona maior empresa espanhola.
Os efeitos foram devastadores e logo se fizeram sentir no desemprego, no racionamento de bens, na inflação e nos juros bancários que que chegaram a 20% e 30%, respectivamente, na desvalorização do escudo, em dificuldades cambiais, razões que foram determinantes no recurso ao FMI em 1977.
Praticadas por um poder não eleito e contrariando o próprio programa do MFA, as nacionalizações constituíram um verdadeiro crime económico cujos resultados ainda persistem na descapitalização da economia e das empresas.
Passados 50 anos, as forças que provocaram as nacionalizações continuam activas e mantêm os mesmos objectivos. Há, pois, que lembrar tal crime económico para não se repetir.





