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A importância da Especialidade de Medicina Geral e Familiar no SNS

Agosto 5, 2025 . 12:00
Opinião: "Os cuidados de saúde primários, através dos médicos de MGF, são a base do sistema de saúde em Portugal, muito mais agora que todo o País está organizado em Unidades Locais de Saúde (ULS)".

A Especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF) é a especialidade com maior número de médicos em Portugal. Constituindo-se como pilar essencial do Serviço Nacional de Saúde (SNS), representa a primeira linha de cuidados médicos à população. É uma especialidade multifacetada, de abordagem holística e centrada no doente, que abrange desde a promoção da saúde e prevenção da doença até à gestão da doença aguda e crónica, considerando não apenas os aspetos físicos, mas, também, os fatores psicológicos, sociais e emocionais que podem afetar o bem-estar da pessoa. É esta abordagem integral que a torna uma especialidade fulcral para o tratamento eficaz da doença e para a promoção de uma saúde global.
Os cuidados de saúde primários, através dos médicos de MGF, são a base do sistema de saúde em Portugal, muito mais agora que todo o País está organizado em Unidades Locais de Saúde (ULS). Este tipo de organização da Saúde, mais do que uma fusão dos cuidados de saúde primários com os hospitais, trazendo eventuais benefícios de escala e de facilitação de acesso do utente, deverá implicar uma mudança de paradigma, deixando o até agora existente modelo “hospitalocêntrico” para migrar para um modelo em que os especialistas de MGF e os cuidados de saúde primários fazem a gestão do indivíduo doente e saudável, articulando-os, quando necessário, com os cuidados hospitalares através de vias integradas e facilitadoras como a consulta (presencial, teleconsulta ou aberta), a cogestão da doença crónica, o hospital de dia, a unidade de diagnóstico rápido, a cirurgia, ou o internamento, entre outras possibilidades de resposta. Este modelo de organização, ao colocar a gestão do doente no seu médico de MGF, vai fazer com que os cuidados de saúde sejam centrados efetivamente no doente, sendo o sistema a dar-lhe o que ele precisa no tempo e local apropriados e não ser o doente a procurar de modo desintegrado cada uma das ‘portas’ do SNS a que necessita de bater para resolver os seus problemas. É isto que se espera que as ULS tragam aos doentes e ao sistema, sendo os médicos de MGF peças fulcrais do processo.
O SNS necessita de uma reforma profunda da sua organização, não só através da integração dos cuidados primários com os cuidados hospitalares, como se pretende com a generalização das ULS, mas também através da reorganização dos serviços hospitalares, cujo modelo de funcionamento se mantém praticamente inalterado desde o início do SNS. São necessárias novas metodologias de trabalho e estímulos que motivem os profissionais e promovam a eficiência. Em relação aos cuidados de saúde primários, o problema não se põe com a mesma acuidade, uma vez que, com a criação das unidades de saúde familiar (USF), estão, em termos organizativos, mais bem enquadrados nas necessidades da população.
O grande problema da MGF tem a ver com a falta de médicos desta especialidade, não tanto em termos absolutos nacionais, mas, especialmente, em algumas regiões do País que, por variadas razões, não são atrativas para estes profissionais. É necessário, por isso, criar incentivos que façam com que os especialistas de MGF se desloquem para estas regiões, tornando a base do SNS homogénea e responsiva a toda a população.

Agosto 5, 2025 . 12:00

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