
Voluntários querem retribuir a felicidade que a Colónia lhes proporciona
Na Casa Amarela, o trabalho dos voluntários que integram a Colónia de Férias da Cáritas de Leiria é exigente. Dormem pouco, preparam as atividades até de madrugada e garantem que cada dia começa com energia para acompanhar os jogos, as conversas, as atividades e os mergulhos.
Para todos eles, a experiência é transformadora e levam dali tanto quanto deixam.
Matilde Vieira, de 21 anos, conhece aquele lugar desde os seis anos. Foi ali, como criança, que viveu dias que ainda hoje recorda com entusiasmo. Ao atingir a maioridade, não hesitou em regressar como monitora. Aliás, tornar-se voluntária foi uma forma de retribuir aquilo que lhe foi proporcionado quando era criança.
“Achava sempre muito divertida a forma como todos os monitores interagiam com as crianças. Tudo aquilo que se passa fora desta casa. Cada um tem a sua vida e quando entramos aqui todos vivemos algo com muita intensidade e algo muito bonito e eu sempre gostei muito dessa mensagem que os monitores passavam a estas crianças”, contou Matilde Vieira, monitora na colónia há cerca de quatro anos.
Enquanto criança, a colónia ensinou-a a “agradecer pela vida”, a valorizar aquilo que tem e a perceber que existem realidades diferentes da sua. Hoje, é ela quem transmite essas lições.
Os voluntários chegam um dia e meio antes de todas as crianças para iniciar o plano de atividades e ajudar a transformar a Casa Amarela, que já foi selva, um laboratório e, mais recentemente a “Milhomania”, onde as crianças são desafiadas a esquecer o mundo lá fora e ‘mergulhar’ num novo imaginário.
“São atividades que nós achamos que elas vão gostar e que vão usufruir. Vão precisar de se ouvir uns aos outros, comunicar uns com os outros, percebendo coisas que se calhar não percebiam e vão criando relações uns com os outros”, contou, confessando que, por vezes, existem situações “mais delicadas”, mas o papel dos monitores é também gerir esse tipo de situações.
Para a monitora, é necessário tratar as crianças e jovens como “crescidos” e “ser bastante claro na mensagem” que se pretende passar. “Temos que nos colocar na pele das crianças”, defendeu.
Ao longo de quatro anos, Matilde Vieira foi ganhando a perceção de que se cresce muito dentro da Casa Amarela. “Há crianças que eu acompanho desde há quatro anos e agora são crianças completamente diferentes”, sublinhou.
“Costumo dizer que a colónia para mim é uma estrela cadente que acontece todos os anos e de extrema intensidade na minha vida. Eu nunca vou mudar a vida destas crianças, mas posso mudar aquilo que são as férias delas”, salientou, admitindo que, com esta experiência, ganhou outra maturidade.
Desde 2017 que Rodrigo Portela, de 26 anos, é monitor na colónia e revelou que a cada ano descobre mais sobre a missão a que se propôs. “Além de toda a animação, o que me motiva é sem dúvida sentir o barulho das crianças e sentir que as crianças estão a ser felizes”, garantiu.
Enquanto os monitores são responsáveis por orientarem as crianças e jovens no seu dia a dia, outros asseguram que, quando as crianças chegam, a Casa Amarela está pronta para os receber. É aí que entra Fátima Simões, a “governanta” da colónia, como é conhecida.
Entre tachos, panelas e tarefas de limpeza, garante que nada falha, desde o pequeno-almoço até à última refeição do dia. “O que me apaixona é ver quem passa por cá agradecer no fim a hospitalidade. Cada grupo é diferente, não há monotonia. É muito trabalho, mas dá-me muita realização”, confessou, com um brilho nos olhos que deixa transparecer o apego àquele lugar.
A sua ligação à colónia começou há mais de 20 anos, numa altura em que estava desempregada e uma colega lhe falou da oportunidade. Desde então, tornou-se presença indispensável. Conhece pelo nome cada criança e jovem que por ali passa.








