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E agora (muito mais do que) Fado

Novembro 13, 2025 . 17:30
Opinião: “Se a estas experiências, algumas “fora do fado”, juntarmos toda a riqueza musical e poética apresentada quando estão “dentro do fado”, não é difícil imaginar a qualidade de um espetáculo que reúne estes três nomes gigantes da música portuguesa. Há experiências que culturalmente marcam vidas. Assistir a este concerto é seguramente uma delas”.

António Zambujo, Camané e Ricardo Ribeiro vão apresentar amanhã e depois, em Lisboa (com lotações esgotadas) e dentro de dias no Porto, seguindo-se seguramente outras cidades do país, “E agora Fado”, um espetáculo que é um encontro de amigos, no qual vão falar (e cantar, claro) sobre o fado, o seu passado e o seu futuro, uma espécie de dissertação filosófica, na qual cada um deverá ter uma opinião muito pessoal. E é aqui que entra – em minha opinião – o título deste comentário, que refere ser muito mais do Fado, porque a dimensão de cada um deles, vai muito para além dessas fronteiras...
António Zambujo é, aos 50 anos, um dos nomes de maior sucesso em Portugal, com parcerias de sucessos arrebatadoras, como a que fez com Miguel Araújo, enchendo cerca de trinta Coliseus, Meo Arena e outras salas em Portugal e na Europa, para além de duetos com nomes como Marisa Liz, Sara Correia, Yamandu Costa, Melody Gardot, Teresinha Landeiro, Carolina de Deus, Salvador Sobral, Carminho, Gal Costa ou Caetano Veloso, o que o elevam muito para além do universo do fado.
Camané (59 anos) é nome incontornável no fado, com uma carreira na qual gravou cerca de uma dúzia de álbuns, com uma parceria musical de elevado nível com José Mário Branco, que deixou marcas profundas na sua obra e carreira. Participou em “Fados”, filme de Carlos Saura, fez “Maldita Cocaína” de Filipe LáFéria, atuou na Brooklin Academy of Music em Nova Iorque, com o jornal New York Times a tecer- -lhe os maiores elogios. Mas cantou António Variações no grupo Humanos, gravou com Pedro Abrunhosa, “Para os braços de minha mãe”, tema incontornável em qualquer concerto de ambos os músicos. Cantou de forma arrebatadora, “Space Odity” no disco de tributo a David Bowie, canta “com” o piano de Mário Laginha. Recebe prémios diversos e é nomeado para os Grammys latinos. E obviamente canta o fado brilhantemente.
Depois há o jovem Ricardo Ribeiro, de 44 anos, que andou pelas casas de fado lisboetas, e há 20 anos receberia os Prémios Revelação da Fundação Amália Rodrigues e da Casa da Imprensa. Participa também no filme de Carlos Saura, “Fados” e enceta parceria com o alaudista e compositor libanês, Rabih Abou-Khalil, com o qual dá um concerto memorável em Lisboa. Grava regularmente álbuns que vão merecendo críticas elogios e distinções da imprensa internacional. O famoso e longo poema de José Régio, “Toada de Portalegre” é um dos maiores desafios de Ricardo Ribeiro, apresentado no teatro São Luiz em Lisboa, em 2016, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Um acontecimento musical único, assumindo uma abertura total a novas culturas musicais. Viveu há dias uma noite memorável no Carnegie Hall em Nova Iorque, ao lado de Cristina Branco e Raquel Tavares, numa noite de homenagem a Amália Rodrigues e ao seu álbum “Amália na América”.
Se a estas experiências, algumas “fora do fado”, juntarmos toda a riqueza musical e poética apresentada quando estão “dentro do fado”, não é difícil imaginar a qualidade de um espetáculo que reúne estes três nomes gigantes da música portuguesa. Há experiências que culturalmente marcam vidas. Assistir a este concerto é seguramente uma delas.

Novembro 13, 2025 . 17:30

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