Um louco, cinco tiros e (45 anos depois) os sonhos de John Lennon continuam a fazer sentido…
Cinco tiros disparados por um louco, à porta do Edifício Dakota no Central Park em Nova Iorque, puseram fim prematuro à vida e à carreira de um dos mais influentes músicos do último século: John Winston Lennon. Foi há 45 anos (8 de dezembro de 1980), e as repercussões do seu desaparecimento, ainda hoje se fazem sentir, porque a sua obra, as suas ideias, os seus manifestos político/pacifistas, continuam – infelizmente – a fazer todo o sentido num mundo cada vez mais turbulento.
Tudo começou na britânica Liverpool, cidade que viu nascer, para além de John, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Juntos foram os Beatles e o resto é história. História de Liverpool, de Inglaterra, da música, do mundo, construída na década de 60 do século passado, mas hoje bem visível em todos esses lugares.
Quase no final da “vida” do quarteto de Liverpool, surge Yoko Ono, mulher única (em termos de personalidade, pois John tinha sido casado com Cynthia Powell, mãe de Julian, seu primeiro filho) e fundamental na vida e obra de Lennon pós-Beatles, formando uma dupla de peso também na sua luta pela paz, sempre regada por uma elevada dose de utopia, como foi/é visível no tema “Imagine”: “Imagine there's no countries/It isn't hard to do/Nothing to kill or die for/And no religion, too/Imagine all the people/livin' life in peace/You may say I'm a dreamer/But I'm not the only one/I hope someday you'll join us/And the world will be as one”.
Este tema, de 1971, chega aos dias de hoje – ainda e sempre - como um hino á paz, interpretado ao longo dos anos por centenas de artistas no mundo inteiro (de Roberto Carlos a António Manuel Ribeiro, de Lady Gaga a U2, dos Queen a Celine Dion…).
Ainda no mesmo ano de 1971, “Happy Xmas (War Is Over)”, era muito mais que um mero tema natalício. “Feliz Natal (a guerra terminou)” era um manifesto político (também) pela paz, á época com enorme impacto numa geração traumatizada pela guerra do Vietnam, segundo as palavras de Sean Ono Lennon, filho de Lennon e de Yoko Ono, a propósito da edição de um recente livro sobre o tema.
Na primeira metade dos anos 70, Lennon edita um álbum por ano todos eles marcantes à época: “John Lennon/The Plastic Ono Band” (1970), “Imagine” (1971), “Some time in New York” (1972), “Mind Games” (1973), “Walls and Bridges” (1974) e “Rock and Roll” (1975), após o que faz uma paragem para se dedicar ao filho, Sean Ono Lennon, entretanto nascido. Voltaria aos discos em 1980, com o aclamado “Double Fantasy”, editado três semanas antes de ser assassinado, quando saia de casa.
As dimensões da vida e da obra de John Lennon, justificam, para além deste texto, de todos os textos, uma “viagem” pela sua história, pelo seu legado, que Liverpool preserva de uma forma mágica, através de museus, estátuas e exposições imperdíveis.





