
Relatório propõe monitorização para evitar descargas de efluentes no rio Lis
O relatório final do estudo de avaliação de impactos ambientais após as descargas de efluentes não tratados no rio Lis devido a uma avaria propõe a redundância operacional de infraestruturas e monitorização, entre outras medidas.
O documento, ao qual a agência Lusa teve acesso, sugere medidas de mitigação e requalificação, como a redução de pressões difusas e pontuais sobre a qualidade da água, a melhoria da eficiência e da redundância operacional das infraestruturas de drenagem e elevação, a requalificação hidromorfológica e ecológica do rio e a implementação de um plano de monitorização.
O objetivo das medidas passa por reforçar a resiliência do sistema, assim como prevenir a ocorrência de situações semelhantes no futuro e promover a recuperação gradual da qualidade ecológica do rio Lis, segundo o relatório final do Estudo Técnico para Avaliação de Danos Ambientais e Medidas de Mitigação, adjudicado pela Águas do Centro Litoral (AdCL) ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.
O documento foi apresentado na reunião da comissão de acompanhamento criada para avaliar a avaria, em agosto de 2025, na estação elevatória de Monte Real, os seus impactos e a necessidade de investimentos, que se realizou na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) do Coimbrão, no concelho de Leiria.
O relatório final reitera as conclusões do relatório prévio do mesmo estudo, com data de outubro, segundo o qual a descarga acidental de efluente não tratado provocou um “acentuado aumento da carga orgânica nestes ecossistemas, com consequente redução do oxigénio dissolvido, mortalidade piscícola significativa e um fenómeno evidente de eutrofização”, situação já ultrapassada.
O relatório prévio assinalou, contudo, existir “contaminação microbiológica recorrente no rio Lis”.
“A contaminação fecal neste troço do rio Lis não se limita” ao acidente na estação, “sugerindo antes um problema estrutural e persistente nos locais monitorizados”, acrescentou.
A este propósito, o relatório prévio notou que “a observação de valores elevados de E. coli e enterococos em vários pontos, incluindo a montante” da estação onde ocorreu a avaria, sugere “a presença de outras fontes de poluição difusa ou pontual, que deverão ser investigadas”.
Após a reunião, o vereador da Câmara de Leiria responsável pelo Ambiente, Luís Lopes, adiantou que o relatório indica “uma recuperação ecológica da zona do acidente”. “Quer os agentes, quer os peixes, os macronutrientes ou as algas estão a conseguir recuperar a um ritmo bastante interessante”, realçou.
Luís Lopes afirmou ainda que “alguns dos contaminantes” já estavam presentes no rio Lis antes das descargas.
Já o presidente da AdCL, Alexandre Tavares, referiu aos jornalistas que “a vantagem do estudo da Universidade de Aveiro é que trouxe novos indicadores, do ponto de vista ambiental, que alargaram a perspetiva como se olhava para este problema”, e adiantou que a empresa vai seguir as propostas.
“Além das questões da monitorização futura de acompanhamento em que a AdCL estará envolvida (…), o sentido que está aqui é que tem de se alargar a outras entidades aquilo que são as razões de pressão ambiental de contexto” no rio, sustentou.
Salientando que a empresa “está a criar resiliência” nos processos de tratamento, elevação e transporte de efluentes, Alexandre Tavares ressalvou que “existe um outro conjunto de orientações e de processos de monitorização e de acompanhamento da qualidade ambiental que tem de ser transversais a todas as partes interessadas no território”.






