
Geradores nas freguesias vão permitir criar centros de acolhimento
A Câmara de Leiria vai instalar vários geradores nos próximos dias que vão servir como centro de acolhimento para quem quiser tomar banho, carregar o telemóvel ou, simplesmente, ver televisão.
“É uma vela. É um ponto de encontro como se fazia antigamente quando não havia televisão e as pessoas iam ao único sítio onde havia televisão”, comparou Gonçalo Lopes.
Em conferência de imprensa, no domingo, na qual se contabilizaram os milhares de pessoas que ainda não têm energia elétrica, o presidente da Câmara Municipal explicou que o objetivo é instalar “um gerador por um PT que serve uma geografia próxima de um pavilhão onde haja luz durante uma semana”.
“Não é uma freguesia toda. Não vamos aumentar a expetativa. Vamos criar uma velinha”, explicou, apontando para um total de 30 geradores instalados “para servir de suporte às tais velinhas”, que poderão até, para além do pavilhão, cobrir outras habitações em volta.
O autarca admitiu que Leiria andou para trás “décadas”. “Somos uma das cidades mais desenvolvidas do país, depois disto andámos décadas para trás, mas não é 20 anos. Só no manto florestal, naquilo que eram as árvores da cidade, com 50 anos, já não as vou ver crescer. Há empresas que vão estar encerradas meses”, constatou.
Gonçalo Lopes lembrou a expressão de que Leiria era um cenário de guerra e tinha sido atingida por uma bomba.
“A bomba está aqui, duas subestações importantíssimas para a rede. É essa rede que nos alimenta todos os dias, nas tais autoestradas. E é como se fossem dois quarteis generais abatidos”, comparou, lembrando as 14 torres que alimentam essas estações, em Leiria.
Por isso, alertou para a possibilidade de a falta de eletricidade perdurar no tempo, como de resto admitiu o presidente da E-Redes, na mesma conferência, de que poderia prolongar-se até ao final deste mês.
“Enquanto houver uma pessoa que não tenha luz, eu não tenho luz também”, assumiu o autarca.
Gonçalo Lopes lançou ainda um apelo, para que seja acionado o mecanismo europeu da proteção civil. “Já não consigo arranjar geradores. Virei uma central de geradores”, ironizou, pedindo uma “atenção redobrada do Governo porque a tragédia vais crescer, no que diz respeito aos impactos económicos”.
“Temos pessoas a ir para casa, igual ao covid. Estamos a falar de concelhos que são o pulmão da indústria em Portugal”, alertou, defendo ainda a criação de um gabinete de crise.
“Não estamos a falar de um evento qualquer. Só não percebo como é que ainda não se percebeu o que está a passar-se em Leiria é algo extraordinário, nunca antes registado”, afirmou Gonçalo Lopes, defendendo um fundo de emergência nacional.
“O município de Leiria não se importa de contribuir para esse fundo e espero nunca o ter de o utilizar, mas que esteja disponível para que outros o possam usar com rapidez.








