
Normalidade no desporto sem data marcada, mas já há quem consiga treinar
Os estragos provocados pela depressão Kristin nas infraestruturas desportivas do concelho de Leiria continuam a ser avaliados e não existe, para já, uma data para o regresso à normalidade. A garantia é deixada por Carlos Palheira, vereador da Câmara de Leiria com o pelouro do Desporto, que sublinha que a prioridade do município está, neste momento, centrada na resposta social às populações afetadas e na reposição das condições básicas de vida.
“Os estragos ainda estão a ser levantados. Já tivemos os nossos funcionários da Divisão do Desporto a ver o estado das instalações, nomeadamente nesta primeira fase dos pavilhões desportivos que são património municipal, mas também dos pavilhões privados, das associações”, afirmou o autarca, explicando que o município está a “traçar um quadro geral”.
Apesar do cenário negro para a maioria dos clubes do concelho de Leiria e Marinha Grande, as boas notícias vão chegando a conta gotas. A Academia Desportiva CCMI foi o primeiro clube a regressar aos treinos após a tempestade. Na segunda-feira, o Campo de São Francisco de Assis, na Cruz da Areia, reabriu com condições de segurança asseguradas, depois de uma limpeza exaustiva. O outro lado da moeda é o campo do Soutocico, que sofreu fortemente com a tempestade e ficou indisponível. “Temos de andar para a frente. Os miúdos tinham de sair de casa”, sublinhou o presidente, Renato Cruz, citado na página Leiria Desporto.
Também a Juventude do Lis conseguiu desde ontem regressar a uma normalidade aparente, já que assegurou as condições para retomar as suas atividades: treinos de andebol, ginásios, bar com serviço de refeições e ainda apoio às crianças dos CAF e dos AAAF, nas suas instalações.
Contudo, apesar destes dois bons exemplos de resiliência, a verdade é que em muitos locais ainda não é possível vislumbrar sequer um regresso à normalidade. Acima de tudo, nesta fase, a dimensão do problema vai além do setor desportivo. “Temos um outro problema que é a questão social: os pavilhões municipais estão a servir de centros de acolhimento de pessoas”, referiu Carlos Palheira, salientando a situação de fragilidade vivida por muitas famílias: “Muitas pessoas perderam as suas casas, muitas pessoas não têm capacidade de estar nas suas casas porque perderam as coberturas, portanto estamos numa situação de grande fragilidade.”
Algumas infraestruturas poderiam, teoricamente, ser utilizadas para a prática desportiva, mas a autarquia opta por cautela. “Nós temos alguns pavilhões que poderíamos abrir para a prática desportiva, mas não vamos abrir já porque ainda poderemos ter que usar essas instalações para outros fins”, explicou.
Perante este cenário, o vereador defende que as prioridades estão bem definidas. “Temos que tentar ajustar todas estas necessidades das populações, que são questões básicas de sobrevivência, e só então podemos pensar em tudo o resto. O desporto também terá que ter o seu tempo”, afirmou, acrescentando que o município está a avaliar “a melhor maneira de encaixar todo este setor do desporto”.
A extensão dos danos inviabiliza, para já, uma retoma generalizada da atividade desportiva. “Não temos capacidade para colocar todo o setor desportivo a competir ao mesmo tempo, é inviável”, reconheceu Carlos Palheira. “O estádio está como está, assim como as piscinas, o pavilhão dos Parceiros — que está em ruína —, o pavilhão do Telheiro, dos Barreiros… Temos muitos exemplos”.
Sem prazos definidos, o município continua na fase de diagnóstico. “Não temos data para o regresso à normalidade. A dimensão é muito grande. Estamos agora a tentar perceber a dimensão”, afirmou o vereador, defendendo uma resposta articulada e global: “Temos de articular em conjunto qual a melhor estratégia para recuperar todo este património e temos que pensar como o vamos fazer em conjunto com o associativismo.”
O vereador garante, ainda assim, que o apoio ao associativismo se manterá. “O associativismo sempre contou com a Câmara e sabem que vão poder continuar a contar com a Câmara”, afirmou, alertando, no entanto, para a diversidade dos danos.
Em vários casos, as condições aparentam permitir a prática desportiva, mas os problemas surgem noutras áreas essenciais. “Pode-se praticar desporto em muitos pavilhões, mas depois temos o problema das infraestruturas, como por exemplo os balneários, que estão destruídos”, explicou, dando o exemplo do pavilhão dos Pousos em que a sala do ginásio está “completamente alagada”.
Para Carlos Palheira, só um diagnóstico completo permitirá definir o caminho a seguir. “Temos que perceber a dimensão total para saber qual a melhor resposta”, afirmou, revelando que o município já está a trabalhar em articulação com outras entidades. Ainda assim, admite que será indispensável apoio externo. “Temos que contar com a solidariedade do Governo — não há volta a dar — para resolver um problema desta dimensão”, concluiu.
Mais casos desoladores
Com o passar dos dias, são conhecidos cada vez mais casos desoladores de instalações desportivas parcialmente destruídas. As mais recentes dizem respeito às Piscinas Belo Horizonte, da Associação de Solidariedade Académico de Leiria, que foram gravemente afetadas pelo recente temporal e encontram-se encerradas por tempo indeterminado.
Em Monte Real, o pavilhão do Centro Cultural e Recreativo de Segodim ficou reduzido a escombros. A violência da tempestade deixou estruturas no chão, materiais destruídos e um espaço completamente inutilizado.
Também o pavilhão dos Silvas, casa de treino do Ateneu Desportivo de Leiria e do Trampolins Clube de Leiria na ginástica, e do Clube de Judo Dragão nas artes marciais, enfrenta tempos difíceis. A estrutura sofreu danos significativos, obrigando a que todo o material desportivo fosse empilhado num canto para evitar maiores prejuízos.
A estes casos de destruição, juntam-se a muitos outros não só em academias dedicadas à prática do futebol, como também de pavilhões desportivos que albergam as mais diversas modalidades.








