
Tempestade compromete ano agrícola no Vale do Lis
A passagem da tempestade por Leiria comprometeu de forma grave o ano agrícola no Vale do Lis, deixando grande parte do perímetro hidroagrícola submerso e causando prejuízos avultados aos agricultores. A situação afeta já as culturas de inverno e coloca em risco as sementeiras da primavera e a campanha de rega do verão.
Henrique Damásio, administrador-delegado da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis, confirma que os impactos vão prolongar-se ao longo de todo o ano. “O nosso ano agrícola, que teria lugar com as sementeiras de primavera e depois consequentemente irrigadas durante o verão, está muitíssimo comprometido”, afirmou.
Segundo o responsável, a intempérie provocou falhas generalizadas nas infraestruturas essenciais ao funcionamento do sistema agrícola. “Não temos energia, as estações de bombagem estão paradas para conseguir que os campos não ficassem submersos”, relatou. A impossibilidade de bombear a água resultou na inundação de cerca de 1.900 hectares, dos 2.145 que compõem o perímetro do Vale do Lis.
Apesar das dificuldades, a associação já se encontra no terreno a realizar trabalhos de emergência. “Estamos no terreno, primeiro a recuperar alguns caminhos para nos conseguirmos movimentar dentro do perímetro hidroagrícola, pôr máquinas a salvo que andavam a trabalhar em limpeza de valas, uma vez que se prevê que venha mais chuva”, explicou, acrescentando que este tem sido, para já, o principal foco da intervenção.
Quanto aos prejuízos nas colheitas, Henrique Damásio admite que ainda não é possível fazer um levantamento exaustivo, mas garante que os danos são significativos. “Temos a noção que há muitas colheitas perdidas, sobretudo dos prados permanentes e prados temporários que existiam, e que infelizmente não vamos conseguir aproveitar nenhuma dessas colheitas”, estes campos encontram-se neste momento submersos, e o responsável afirma que vão permanecer nesta condição durante os próximos dias devido às severas condições meteorológicas que se vão continuar a sentir na região ao longo desta semana.
As culturas hortícolas e fruteiras também foram afetadas. “As hortícolas estão perdidas, as fruteiras estamos a tentar ver quantos dias é que estarão submersas para perceber se resistem ou não”, explicou, sublinhando que o impacto vai muito além da produção atual. “O prejuízo é brutal, ainda por cima o sistema de rega que iria funcionar no verão está agora submerso”, explica o responsável acrescentando que estes equipamentos são eletrónicos e que a recuperação dos mesmo vai ser difícil e demorada devido à sua extensão.
Relativamente às culturas atingidas no Vale do Lis, o administrador-delegado especifica que, no inverno, predominam as hortícolas, sobretudo couves, e os prados permanentes e temporários, destinados à produção de forragem. “São as culturas de inverno que se fazem e que se usam depois para ter feno na primavera”, esclarece.
De acordo com a associação, os efeitos da intempérie atingem um número elevado de produtores. “Temos cerca de 600 agricultores identificados que estão muito afetados”.







