
Imobiliárias fazem “pensos rápidos” nas habitações das vítimas
A depressão Kristin causou prejuízos em habitações, empresas e estabelecimentos comerciais. Na cidade de Leiria, as agências imobiliárias enfrentam um período de elevada pressão, numa altura em que a principal preocupação da população passa por reparar as casas e minimizar os estragos provocados pela intempérie.
Num contexto ainda marcado pela instabilidade meteorológica e pela escassez de mão de obra no setor da construção e manutenção, as imobiliárias de Leiria dão a resposta possível às inúmeras solicitações, adotando uma lógica de contenção e de priorização das situações mais críticas.
A ACI – Sociedade de Mediação Imobiliária é uma das agências que, dia após dia, tem garantido apoio às famílias que viram as suas habitações afetadas, com telhados danificados, janelas partidas e infiltrações constantes, numa altura em que a chuva não dá tréguas à cidade do Lis.
Cláudia Pouseiro explica ao nosso jornal que o contacto inicial com a agência tem sido feito, maioritariamente, por chamada telefónica. Durante a conversa com o inquilino ou o senhorio, a empresa procura perceber a dimensão dos danos e solicita o envio, por correio eletrónico, de fotografias com a identificação do local e o nome do proprietário ou do inquilino.
Segundo aquela funcionária da empresa, a triagem e avaliação das ocorrências têm prosseguido de forma a “dar prioridade às situações mais urgentes”. Até à data, a agência registou cerca de 100 ocorrências, sendo que as situações mais dramáticas se concentram sobretudo em prédios, onde a queda de telhas tem permitido a entrada de água no interior das habitações. A responsável relata ainda o caso de uma família que ficou sem janelas devido às fortes rajadas de vento, situação que tornou “necessário realojar a mesma”.
Apesar do cenário exigente, a agência destaca a atitude colaborativa de muitos inquilinos. De acordo com a responsável, aqueles que se encontram em “situações menos graves” têm sido “extremamente compreensivos e muito cooperativos”, resolvendo autonomamente alguns problemas até que a empresa consiga reparar os danos causados.
A maior dificuldade enfrentada pela ACI prende-se com o contacto com as empresas de gestão de condomínios. “Eles não têm mãos a medir, é muito difícil entrar em contato com eles, alegam dificuldades de meios e de mão de obra”, relatou Cláudia Pouseiro ao nosso jornal. “Não conseguem dar vazão a todos os pedidos de ajuda”, concluiu.
Já a agência Sousa & Tomás Imobiliária envia, dia após dia, as suas equipas para a rua para avaliar os danos causados aos seus clientes e arrendatários. Patrícia Gaspar, responsável pela gestão de arrendamentos, diz que esta é a área que mais causa dificuldades para a agência. “Desde sexta-feira que andamos na rua a visitar sobretudo os apartamentos que estão arrendados com os estudantes”, afirmou a responsável que realçou o facto destes apartamentos estarem neste momento desabitados pois os estudantes encontram-se em período de férias.
“Nós próprios, em termos de imobiliárias, estamos a ir a apartamentos que estão desabitados, vazios, proprietários que estão no estrangeiro”, conta ao nosso jornal a empresa que tem mais de 300 imóveis em arrendamento e alguns que estão desabitados. Têm sido os próprios empregados da agência a “limpar e a pôr plásticos e baldes para tentar amparar água”.
À empresa nos últimos dias têm chegado contactos e informações por e-mail e WhatsApp “de proprietários e de arrendatários com danos nos imóveis”. Estes contactos seguem com fotografias e relatórios dos danos numa fase em que a empresa consegue apenas “recolher informação”. “Alguns vêm diretamente à loja a reportar essa situação e outros estão agora a ser contactados para tentarmos perceber quais são os danos”.
A Sousa & Tomás Imobiliária estima cerca de 80% dos imóveis com danos, um número equivale a 200 imóveis. “Ainda não conseguimos chegar a todos, mas neste momento a grande maioria tem muitos danos com lojas com montras completamente destruídas, que estão a céu aberto, muitos telhados, é o que tem sido mais comum”, contou a responsável. M.B.







