
Depois da tempestade, a EuroVegetal procura reerguer-se
A EuroVegetal, sediada em Figueiró dos Vinhos, ficou praticamente a céu aberto após a passagem da depressão Kristin, que destruiu dois armazéns e deixou estruturas metálicas e chapas espalhados pelo recinto da empresa.
Ainda abalado, o sócio-gerente, Ricardo Batista, recordou que o acesso às instalações estava bloqueado, durante aquela madrugada. “Tive de ir buscar a motosserra a casa para conseguir passar com o carro”, contou.
Pelo caminho, ouviu palavras que antecipavam o cenário que iria encontrar. “Um colega meu começou a chorar e disse-me: ‘Ricardo, não vás para lá, vai ser o fim’. Mas eu respondi-lhe que tinha de ir”.
À chegada, confirmou-se a dimensão da destruição. “Deparei-me com uma situação… enfim”, resumiu.
Ainda assim, não houve espaço para hesitações. “Logo no primeiro minuto não quis estar a pensar. Esperei pelos colaboradores e começámos a limpar (…) nunca parámos”.
A prioridade foi libertar a via pública e remover os destroços mais perigosos, como chapas, painéis solares e estruturas soltas, numa operação feita ainda sem energia elétrica.
Apesar de a produção ter ficado condicionada, a empresa conseguiu manter a atividade possível. “Sabia que não podia produzir, mas podia comercializar o que tinha”, frisou.
Com 26 anos de atividade, a EuroVegetal dedica-se à valorização de resíduos florestais, transformando-os em adubos orgânicos e substratos para agricultura e à calibração de casca de pinho.
Atualmente, a empresa está a laborar de forma parcial. “Estamos a fazer parte do trabalho, mas ainda não estamos a usar um dos armazéns. Dois ficaram destruídos”, explicou Ricardo Batista.
A EuroVegetal emprega 14 trabalhadores diretos e outros 14 indiretos, todos atualmente em funções.
Quanto aos prejuízos, o responsável evita avançar valores concretos. “Não me atrevo a dizer números, porque ainda estamos em fase de avaliação. Serão uns bons milhares”.
Ainda assim, afasta qualquer cenário de colapso. “A empresa já está reerguida. Já estamos a fazer coisas e já estamos a faturar”, assegurou.
A recuperação, contudo, enfrenta dificuldades acrescidas pela localização. “Estamos em Figueiró dos Vinhos e não há grande oferta de indústria e serviços. Temos de recorrer a outros locais e não há empresas disponíveis para tudo. Vai demorar algum tempo até conseguirmos arranjar condições”, lamentou, adiantando que a “segurança dos colaboradores é o mais importante”. C.B.








