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Tempestade vai custar a Leiria mil milhões de euros

Autarca de Leiria apresenta uma conta de mil milhões de euros, 243 ME associados a infraestruturas públicas e coletivas e pede que haja “proporcionalidade” nos apoios

Quanto custa uma tempestade? Em Leiria, a conta chega aos mil milhões de euros. Entre habitações e economia destruídas e todos os danos e custos de reposição no concelho, tudo somado chega aos mil milhões de euros, estimativa de ontem, do presidente da Câmara.

Um cálculo inicial do município à passagem da depressão Kristin a 28 de janeiro apontava para um peso das habitações e da economia no valor de cerca de 800 milhões de euros (ME). Acrescem agora mais de 243 ME, depois de realizado um levantamento das infraestruturas e equipamentos sob a responsabilidade do município, equipamentos e património de coletividades, IPSS e instituições religiosas, e infraestruturas do Estado localizadas no território.

Só o Castelo de Leiria vai precisar de um investimento de 10 ME. Foi precisamente com o Castelo ‘ferido’ em pano de fundo que Gonçalo Lopes apresentou ontem o valor já estimado dos estragos que a tempestade causou, momento comparado pelo presidente da Câmara ao terramoto de 1755 e às últimas catástrofes que atingiram a Europa, como em Valência, na Espanha, onde as cheias provocaram 200 mortos e deixaram um rasto de destruição sem precedentes.

“Escolher o Castelo de Leiria representa a identidade da reconstrução do futuro. (…) Esta tempestade atingiu o coração do funcionamento do território, tornando Leiria o epicentro da desgraça” e, por isso, “é um fenómeno que não pode ser ignorado pela sua dimensão e deve ser centrado na proporcionalidade de execução das obras”, afirmou, desejando reabrir as portas do castelo no verão.

Na conferência de imprensa, Gonçalo Lopes apontou como prioridades a reconstrução das escolas e das redes viárias, esclarecendo que o reerguer de Leiria será feito de forma escalonada, definindo prioridades.

“É um processo único, que demora tempo e paciência. A dimensão do estrago é tal que não se consegue num ano, dois, três ou quatro. Temos de ter intervenções faseadas. Daqui a um ano vamos ter muitas surpresas em Leiria, mas pôr a cidade num patamar de concelho de futuro, vai demorar seguramente mais do que um mandato”, avisou.

No caso do parque escolar, é intenção do município apostar em “edifícios resilientes para o futuro”. Os prejuízos calculados nas escolas de um total de 30 ME distribuem-se por 8 ME na EB de Marrazes; 7 ME na EB Henrique Sommer; 5,2 ME na EB de Colmeias; 5 ME na EB de Caranguejeira; e 3 ME na EB de Santa Catarina da Serra.

“As obras têm que começar rápido. Algumas das escolas já estavam classificadas como prioridade, agora são muito, muito prioridade. É um investimento que vai transformar o parque escolar em escolas que aguentam tempestades”, apontou o autarca.

Outra das prioridades passa pele rede viária. Segundo Gonçalo Lopes, os prejuízos nesta rubrica ascendem a 85,5 ME os prejuízos.

Ainda a propósito de vias, mas de energia, Gonçalo Lopes espera que as entidades competentes não cometam os erros do passado, desafiando, no caso, a E-Redes a redefinir a sua estratégia nacional.

Março 13, 2026 . 08:00

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