
Cerca de 500 quilómetros de caminhos florestais já foram limpos em Pombal
A passagem da depressão Kristin deixou um rasto de destruição na floresta do concelho de Pombal, com cerca de sete milhões de árvores caídas e 2.400 quilómetros de caminhos florestais por limpar. Destes, cerca de 500 quilómetros já foram desimpedidos, o que representa aproximadamente 30% do total identificado.
À margem de uma visita aos trabalhos de recuperação florestal na freguesia da Guia, no concelho de Pombal, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Pimpão adiantou que os trabalhos continuam no terreno e que o município está agora a definir as áreas prioritárias de intervenção no mapa do território para garantir que os acessos mais críticos ficam operacionais até à época de incêndios.
“Estamos todos a fazer os nossos esforços”, afirmou, referindo que a limpeza dos caminhos florestais envolve técnicos da câmara municipal, das juntas de freguesia, da Associação de Produtores Florestais, voluntários e equipas do ICNF.
Diariamente, entre 50 a 60 elementos das várias equipas - sem contar com as equipas do ICNF – estão no terreno a ajudar nas operações de desobstrução, numa tarefa que Pedro Pimpão descreveu como “muito difícil e exigente”. “Vai demorar muito tempo. Por isso é que este apoio do ICNF é muitíssimo importante. Foi um apelo que eu fiz há duas semanas para que o ICNF reforçasse as equipas de sapadores florestais nos territórios mais afetados”, adiantou.
Na quarta-feira, encontravam-se espalhados no concelho 33 sapadores florestais do ICNF, estando o município a assegurar o alojamento e a alimentação destas equipas.
Segundo Pedro Pimpão, a zona oeste do concelho foi uma das mais afetadas pela tempestade, sobretudo devido à forte presença florestal e à exposição de ventos marítimos.
Governo prevê atribuir mil euros por hectare
A visita contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, que aos jornalistas anunciou um programa de 40 milhões de euros (ME) para os proprietários florestais afetados pela depressão Kristin removerem as árvores caídas e limparem os terrenos. Segundo explicou, a intervenção deverá abranger cerca de 30 mil hectares de área florestal, estando prevista a atribuição de um apoio aos proprietários de cerca de 1000 euros por hectare.
“Estamos a acelerar ao máximo para recuperar rapidamente estas áreas”, afirmou o governante, acrescentando que está também a ser preparada a constituição de novas OIGP – Operações Integradas de Gestão da Paisagem, que permitirão uma intervenção mais rápida e organizada no território.
Estão envolvidas várias entidades e ministérios “neste objetivo de acelerar ao máximo, não só para recuperar rapidamente, como para evitar novas tragédias, nomeadamente os incêndios”, adiantou.
José Manuel Fernandes colocou como fasquia limpar até ao final do ano as “zonas críticas”. “Será impossível retirar todas as árvores que caíram, se calhar durante este ano, mas nas zonas críticas queremos que tal aconteça e há muito trabalho que está a ser feito”, sublinhou aos jornalistas.
O governante garantiu que até ao início de verão têm de estar desimpedidas as florestas usadas pelos meios de combate a incêndios e destacou o “esforço brutal” do Governo para dotar de material as comunidades intermunicipais, com a entrega de 18 máquinas de rasto.
“O meu apelo é que todas as máquinas que existem sejam usadas para este objetivo”, disse o governante, referindo que apenas um desses equipamentos está atualmente em atividade.
Nos casos em que os proprietários não retirem o material lenhoso, o Governo avançou com uma alteração legislativa que permite às entidades do Estado atuar de forma que se evite os incêndios.
Relativamente às operações em curso, o governante indicou que na região Centro estão atualmente cerca de 250 operacionais no terreno, número que deverá manter-se nas próximas semanas. No pico das operações, após a tempestade de 28 de janeiro, chegaram a estar mobilizados cerca de 900 homens.
Os concelhos mais severamente atingidos, de acordo com a avaliação do ICNF, foram Pombal, Leiria, Marinha Grande e Batalha, na região de Leiria.







